Deolane Bezerra sofreu uma nova derrota na Justiça nesta terça-feira (09). O Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou, por unanimidade, o pedido de liberdade apresentado pela defesa da influenciadora. Com a decisão, ela continuará presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, enquanto aguarda novos desdobramentos do processo relacionado à Operação Vérnix.
Eu saí de casa decidida a resolver pendências simples, aquelas tarefas que parecem rápidas até encontrarem um jeito brasileiro de virar novela. Passei pela portaria, peguei uma encomenda que juravam ser pequena e acabei carregando uma caixa que parecia conter metade de um apartamento. Foi nesse momento que o celular vibrou com a notícia envolvendo Deolane Bezerra. Parei no meio do corredor. Porque tem dia em que a Justiça chega antes da entrega, e normalmente vem com bem mais peso.

O relator do caso, o ministro Ribeiro Dantas, entendeu que não existe ilegalidade evidente na decisão que determinou a prisão preventiva da influenciadora. Segundo o magistrado, a medida estaria fundamentada na necessidade de garantir a ordem pública e exige uma análise mais aprofundada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Embora tenha mantido a prisão, o STJ recomendou que o TJ-SP examine os pedidos apresentados pela defesa com maior rapidez.
A defesa de Deolane, conduzida pelo advogado Aury Lopes, tentou substituir a prisão preventiva por medidas cautelares ou prisão domiciliar. Entre os argumentos apresentados, os advogados citaram a situação da filha da influenciadora, de nove anos, alegando vulnerabilidade decorrente da ausência da mãe.
O Ministério Público Federal (MPF), porém, se manifestou pela manutenção da prisão. A Procuradoria argumentou que o caso investigado envolve suspeitas de atividades continuadas e não um episódio isolado, justificando a necessidade da medida cautelar.
Deolane Bezerra foi indiciada pela Polícia Civil em 29 de maio após a conclusão do relatório da Operação Vérnix, investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
As investigações apontam que a influenciadora teria ligação financeira com Everton de Souza, conhecido como Player e Temer, apontado pelas autoridades como intermediador financeiro da organização criminosa.
Segundo a polícia, Everton seria responsável por movimentar recursos destinados a Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC, e também a Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão do criminoso.
De acordo com o relatório policial, Deolane teria recebido transferências financeiras oriundas de uma transportadora suspeita de atuar como empresa de fachada para lavagem de dinheiro. Os investigadores também apuram possível ocultação patrimonial.
A polícia aponta que a influenciadora recebeu R$ 28,7 mil em transferências da empresa investigada. Além disso, documentos encontrados durante a apuração indicariam depósitos que totalizam R$ 24,5 mil diretamente para suas contas. O relatório também menciona mais de R$ 1 milhão em depósitos em espécie realizados entre 2018 e 2021, cuja origem estaria sob investigação.

A defesa sustenta que os valores são compatíveis com a atuação profissional de Deolane Bezerra como advogada e nega qualquer irregularidade.
Enquanto isso, o relatório da Operação Vérnix segue em análise no TJ-SP, que ainda deverá decidir sobre pedidos apresentados pela polícia envolvendo bloqueio de bens, veículos apreendidos e a guarda judicial de joias e relógios vinculados à investigação.
Subi com a encomenda e fiquei pensando que existem processos que ultrapassam a esfera da fama. Deolane Bezerra construiu uma trajetória marcada por visibilidade, polêmicas e milhões de seguidores. Agora, porém, os próximos capítulos não dependem de curtidas, alcance ou estratégia digital. Entre decisões judiciais, relatórios policiais e recursos da defesa, quem escreve a continuação dessa história não é a internet. É o tribunal.