Acordei aqui em Milão com essa notícia e precisei ler duas vezes. Juliana Paes anunciou que deixa a Viradouro como rainha de bateria, e fez questão de gravar um vídeo ela mesma para contar, antes que a imprensa contasse por ela. Timing perfeito, aliás, porque o anúncio saiu numa semana em que ela também estava comemorando aniversário, e ela mesma disse que os presentes vieram antes esse ano, com o título.
No vídeo, ela foi direta e emocionada ao mesmo tempo. Disse que ainda acorda sem acreditar que venceram, que foi a primeira vez que a Viradouro levantou o troféu em 17 anos, e que contar essa história junto com o mestre Ciça foi uma das experiências mais bonitas da carreira. Mas na sequência veio o recado: ano que vem não dá. Temporada nova ,saindo na Netflix, contratos de imagem, um 2026 que ela descreveu como ano multi, e a conclusão honesta de que não conseguiria se dedicar ao posto com a disponibilidade que ele merece.
O movimento de Juliana tem uma leitura inteligente por trás. Sair campeã é o topo, e sair do topo antes de a curva descer é raro no Brasil. Ela construiu um vínculo real com a Viradouro, entregou o título que a escola esperava há quase duas décadas, e fechou o ciclo sem climão, sem nota fria de assessoria e sem o constrangimento de ficar num posto pela metade. Isso tem valor, e o carnaval sabe reconhecer.
A escola ainda não anunciou quem ocupa o posto em 2027. O vermelho e branco agora tem um problema bom: substituir uma rainha que saiu no auge.