Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

Joia ou polêmica? Zendaya usa brincos com relíquias de 3 mil anos e divide a internet

Atriz apareceu em Londres com medalhões de ouro encontrados no Irã e transformados em brincos, provocando debate sobre moda, preservação histórica e colonialismo

Kátia Flávia

20/07/2026 8h30

Zendaya usou brincos feitos com medalhões de ouro de cerca de 3 mil anos em Londres

Zendaya usou brincos feitos com medalhões de ouro de cerca de 3 mil anos em Londres

Zendaya virou assunto nas redes sociais após usar brincos feitos com medalhões de ouro de cerca de 3 mil anos durante a divulgação do filme A Odisseia, de Christopher Nolan. As peças foram encontradas no noroeste do Irã no fim da década de 1940 e fazem parte de uma coleção ligada ao Império Medo, que dominou a região entre os séculos 7 e 6 antes de Cristo.

Eu ainda estava na mesa do fondue, tentando resgatar um pedaço de batata que tinha desaparecido no fundo da panela como se fosse segredo de família rica, quando Zendaya surgiu em Londres usando relíquia arqueológica na orelha. Larguei o garfo na hora. Porque uma coisa é usar brinco vintage. Outra é sair de Jacquemus carregando três mil anos de história pendurados no look.

 As relíquias foram encontradas no noroeste do Irã e ligadas ao sítio arqueológico de Ziwiye
As relíquias foram encontradas no noroeste do Irã e ligadas ao sítio arqueológico de Ziwiye

A atriz apareceu com as peças em uma sessão de fotos realizada no dia 5 de julho, em Londres, usando um vestido branco da grife Jacquemus. O visual fazia parte da divulgação de A Odisseia, filme em que Zendaya interpreta a deusa Atena. O elenco ainda conta com Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway, Lupita Nyong’o e Cate Blanchett.

A polêmica começou quando internautas descobriram a origem dos medalhões. Segundo a CNN, os objetos foram retirados do sítio arqueológico de Ziwiye, no Irã, e pertencem a uma coleção de arte do Império Medo. A partir daí, a internet fez o que sabe fazer melhor: transformou acessório de tapete vermelho em audiência pública global.

Parte dos usuários criticou Zendaya e o stylist Law Roach, responsável pelo look, alegando que o uso das relíquias como brincos reforçaria uma lógica colonialista. Para esse grupo, os medalhões deveriam ser devolvidos ao Irã, não circular em evento de cinema como peça de moda.

Eu entendo o ponto. Tem coisa que não é só “acessório com história”. Às vezes é história mesmo, da pesada, com território, saque, museu, coleção privada e um passado inteiro que não cabe numa foto bonita.

Outra parte da internet, porém, defendeu o uso das peças. O argumento é que transformar os medalhões em brincos daria visibilidade à arte antiga e ajudaria a preservar os objetos, desde que eles não tenham sido danificados no processo.

A montagem foi feita pelo joalheiro britânico Glen Spiro, que usou diamantes e ouro 18 quilates para transformar os medalhões em joias contemporâneas. As peças foram compradas pela joalheria Barron London, que afirmou em comunicado que a montagem não alterou nem danificou os objetos originais.

A joalheria também disse esperar que os brincos funcionem como lembrete do legado artístico, cultural e histórico do Irã, especialmente em um momento em que o país costuma ser visto pela lente de conflitos contemporâneos.

Bonito no release, complexo na vida real. Eu li essa justificativa e fiquei olhando para a panela como quem espera o queijo dar parecer jurídico. Porque preservar memória é uma coisa. Transformar relíquia em brinco de celebridade é outra discussão, e das grandes.

A atriz divulgava o filme A Odisseia, de Christopher Nolan, em que interpreta a deusa Atena
A atriz divulgava o filme A Odisseia, de Christopher Nolan, em que interpreta a deusa Atena

Até agora, Zendaya, Law Roach e Glen Spiro não se manifestaram publicamente sobre a polêmica. Enquanto isso, o look segue dividindo opiniões entre quem viu uma homenagem cultural sofisticada e quem enxergou um objeto histórico deslocado do próprio lugar de origem.

Zendaya conseguiu algo raro: transformou uma divulgação de cinema em debate sobre arqueologia, moda, colonialismo e patrimônio cultural. Atena, deusa da sabedoria, talvez aprovasse a discussão. Já a internet, essa aprovou o caos mesmo.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado