Eu vou te contar como foi, do jeito que eu gosto, com olho clínico e salto fincado no asfalto do Anhembi. João Pedrosa entrou na avenida com a Mocidade Alegre e fez o que influencer esperto faz quando pisa em Carnaval de escola grande. Ele parou de ser só “o menino das redes” e virou personagem de carro alegórico, daqueles que a câmera ama e o público reconhece na hora. O moço apareceu na última alegoria, naquele setor que fecha o desfile com cara de grand finale, e a escola usou esse encerramento pra martelar o recado do enredo na cabeça de todo mundo.

A Mocidade veio com “Malunga Léa, Rapsódia de uma Deusa Negra”, homenagem à Léa Garcia, com leitura de trajetória, força artística e peso simbólico. Teve estética afro-religiosa, teve discurso de representatividade, teve aquele tipo de narrativa que coloca a plateia no modo “eu estou assistindo história acontecendo”.

E aí entra a parte que eu, Kátia Flávia, adoro. Convidado em escola de samba é sempre teste de carisma. Tem quem pareça perdido, tem quem queira roubar a cena, e tem quem entende o jogo. João jogou bonito. Ele veio como presença de vitrine, sim, mas com postura de quem sabe que ali a estrela é o enredo e a escola. Resultado. A participação dele virou assunto porque encaixou no fechamento do desfile sem virar distração barata.