Eu tive que parar tudo quando bati o olho nessa história, meu povo, porque ela tem aquele tempero de roteiro que chega pronto, com aeroporto, raio X, confusão e celebridade no meio. Segundo a reportagem, João Gordo, integrante do Ratos de Porão, foi detido na manhã deste domingo no aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, depois de ser flagrado com pequenas quantidades de haxixe e maconha durante uma inspeção. Eu estava lendo isso com a cara de quem abre uma nota e ganha um capítulo inteiro de série policial feita para streaming, só que com cheiro de saguão e café requentado.
A informação publicada aponta que tudo aconteceu por volta das 8h, quando funcionários perceberam na bagagem a presença de um isqueiro, item proibido para esse tipo de transporte, e a vistoria avançou. Foi aí que, de acordo com o relato reproduzido pela matéria, encontraram pouco menos de cinco gramas das substâncias. João Gordo estava voltando para São Paulo depois de compromissos profissionais em Minas Gerais. E eu preciso dizer, meu amor, aeroporto já é um lugar em que ninguém entrega sua melhor versão. Agora imagina somar fiscalização, bagagem suspeita e nome famoso. A fofoca entra pelo portão de embarque com prioridade.
A Polícia Federal informou que o cantor foi levado para uma sala, assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência, o famoso TCO, e depois foi liberado para seguir viagem. A notícia também conta que, mais tarde, ele compartilhou nas redes um print sobre o caso e ironizou a situação com emoji de caveira fumante e a música That’s Life, do Frank Sinatra. Eu confesso que nessa hora quase derrubei a taça imaginária no carpete do meu camarote mental, porque só faltava uma luz dramática e um travelling de cinema. O detalhe final deixa a cena ainda mais torta, já que antes da detenção ele havia contado no Instagram que passou mal durante a noite, com febre e disenteria. Ou seja, o enredo já vinha bagunçado antes mesmo do embarque.