A separação de Ivete Sangalo e Daniel Cady caiu nas redes como um daqueles tsunamis emocionais que o Brasil simplesmente não sabe administrar. Foi um desfile instantâneo de “meu Deus!”, “não estou pronta!”, “como assim, gente?”, porque 17 anos de relacionamento e 14 de casamento não terminam sem provocar um curto-circuito coletivo. O anúncio veio elegante, alinhado, maduro, mas isso não impediu o país inteiro de abrir o baú afetivo da cantora e revisitar cada romance que já fez parte da história dela.
E quando o assunto é Ivete, não existe passado. Existe retorno triunfal de memória.
O ano era 1999, febre pop no ar, Brasil sedento por fofoca chic. Ivete e Huck viveram um namoro rápido, porém marcante, um daqueles romances que não duram, mas deixam assinatura. Era glamour, era juventude, era televisão pulsando no auge. Terminou logo, não virou novela, mas virou patrimônio da cultura pop. Carinho ficou, respeito sobrou e a maturidade atravessou décadas como quem atravessa a Sapucaí em carro alegórico.

Em 2002, Salvador fervendo mais que trio elétrico de domingo. Ivete no auge, palco brilhando, e… casamento! O músico Davi Moraes entrou firme nesse capítulo, com direito a aliança, cerimônia e aquele clima de casal artístico que o Brasil adora observar. A união durou alguns anos e acabou sem tragédia, sem escândalo, sem troféu de fofoca, apenas a conclusão de um ciclo importante da vida da artista.

Logo depois, veio o romance que até hoje rende risadinhas nostálgicas de quem viveu a era dos DVDs ao vivo: Fábio Duarte. O dançarino, integrante do corpo de baile, protagonizou um relacionamento de idas e vindas em 2006 que misturava química visível, energia de palco e bastidores ferventes. Foi a fase “coreografia e sensação”, iluminada por refletores e pelo tipo de intensidade que só quem já amou trabalhando sabe como é.

A era dos empresários trouxe outro tom: menos palco, mais bastidores, mais elegância calculada. Marcelo Rangel, Felipe Simão e alguns nomes que circulavam a alta roda dos negócios dividiram com Ivete relações que variaram de meses a anos, sempre acompanhadas por uma curiosidade nacional quase antropológica. Afinal, onde Ivete pisa, o país observa.
E então ele apareceu: o modelo sérvio Andrija Bikic. Discreto, internacional, misterioso no ponto certo. Um romance de meados de 2008 que teve charme de filme europeu, clima reservado e um único vilão: a distância. Porque amor até tenta competir com oceano e agenda lotada, mas às vezes não tem condição. E quando não tem, não adianta. Encerrado com dignidade, guardado com afeto e lembrado como um capítulo exótico e delicioso da biografia amorosa da cantora.

Ainda em 2008, o destino entrou no jogo e apresentou Daniel Cady. O relacionamento cresceu bonito, ganhou profundidade, virou casamento em 2011 e construiu uma família que marcou a vida de Ivete: Marcelo, Helena e Marina. Foram 17 anos de parceria, respeito, cumplicidade e construção conjunta.
Agora, com o fim anunciado, os dois deixam claro que o capítulo amoroso se encerra, mas o capítulo familiar continua firme, elegante e alinhado. Com o mesmo cuidado que construiu a história, eles garantem que a separação não apaga nada, apenas reorganiza o caminho daqui pra frente.