Eu estava só observando, abanando meu leque, quando São Paulo resolveu testar os limites do axé com manual de instruções. Ivete Sangalo, estreante no Carnaval de rua paulistano, puxava o bloco no entorno do Ibirapuera quando a coisa desandou ali na frente do trio. Corda esticada demais, povo querendo chegar perto, segurança tentando conter, receita clássica para confusão urbana versão glitter.
Ivete sentiu o clima antes de virar caos. Parou o show, tomou o microfone e fez o que só ela sabe fazer. Chamou para o meio do caminho, pediu aproximação com juízo e avisou que ninguém ali estava interessado em ver folião machucado. Não teve grito, não teve histeria. Teve comando de palco com tom de quem manda e cuida ao mesmo tempo.
A intervenção veio depois de dificuldades reais para conter a multidão que seguia atrás da faixa de isolamento. A reportagem viu gente passando mal, pelo menos dez pessoas precisaram de atendimento do Corpo de Bombeiros, com ajuda da produção da 99. Carnaval é alegria, mas também é termômetro de organização, e ali ele subiu rápido.

Segundo os bombeiros, cerca de 20 mil pessoas passaram pelo local. Muita gente para uma cidade que ainda aprende, ano após ano, que Carnaval de rua não funciona no modo fila indiana. Ivete conduziu os foliões no gogó, pediu para cantar, pular, rebolar e ainda fez discurso direto para as mulheres ao puxar Energia de Gostosa, porque ela entrega hit e recado no mesmo pacote.
No fim, agradeceu o carinho do público paulistano e disse que sonhava há anos com essa experiência. Sonho realizado, com direito a tensão, ajuste fino e aquela lembrança básica. Quando Ivete pede calma, o Carnaval escuta. Porque ali não era só show, era aula prática de como segurar multidão sem perder o ritmo.