Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

Ivete para Juazeiro: filha da terra volta ao circuito que leva seu nome e arrasta 100 mil pessoas

Dez anos depois do último trio, Ivete Sangalo reassume Juazeiro, transforma o circuito que leva seu nome em epicentro da folia e puxa um Carnaval histórico com impacto direto na economia e no imaginário da cidade.

Kátia Flávia

31/01/2026 12h00

foto jbr 1

Cantora se apresentou nesta sexta-feira (30), no Carnaval de Juazeiro, cidade onde nasceu. Fotos: reprodução/Instagram

Eu vou falar devagar porque isso aqui é história sendo escrita com glitter e suor, meu bem. Ivete Sangalo voltou para Juazeiro como quem não pede licença, apenas chega, sobe no trio e lembra a todo mundo quem é a dona do endereço emocional daquela cidade. Filha da terra, criada às margens do Velho Chico, Ivete retornou ao Carnaval de Juazeiro depois de cerca de dez anos e transformou a noite em acontecimento que não cabe em release.

O detalhe que muda tudo, Brasil, é que ela não voltou para qualquer percurso. Ela voltou para o circuito que leva o próprio nome, oficialmente batizado como Circuito Ivete Sangalo, aquele que concentra as principais atrações, os maiores trios e o maior fluxo de gente. É simbólico, é político, é econômico e é afetivo. Ivete não é atração, Ivete é eixo. A cidade gira em torno dela e pronto.

Os números deixam qualquer fofoqueira responsável tremendo. A expectativa oficial fala em 100 mil pessoas por noite apenas no circuito principal, dentro de um Carnaval apontado como o maior da história de Juazeiro. Hotel lotado, bar sem mesa, comércio sorrindo, vendedor ambulante fazendo hora extra e a prefeitura tratando o evento como motor econômico do verão. Quando Ivete canta em casa, o caixa da cidade agradece.

Ivete Sangalo, artista conterrânea de Juazeiro, se apresentou no circuito que presta homenagem ao seu nome.

Antes mesmo de subir no trio, ela já tinha preparado o roteiro emocional. Teve vídeo no Rio São Francisco, banho noturno, risada solta, maquiagem improvisada e legenda espirituosa avisando que “as vampiras tão solta”. Eu vi ali a estrela global voltando ao ponto zero, misturando infância, memória e estratégia de internet, porque Ivete sabe jogar no palco e fora dele. No dia seguinte, a imagem se completou, mergulho no Velho Chico e comando absoluto do trio no circuito que carrega seu nome.

Nas ruas, o line up ajudou a sustentar o peso do evento, com Psirico, Parangolé, Guig Ghetto, Bell Marques, João Gomes e uma turma boa segurando o ritmo. Mas vamos ser honestas entre amigas, ninguém estava ali por engano. O povo foi para ver Ivete, para cantar com Ivete, para dizer que esteve presente na noite em que Juazeiro virou manchete nacional por causa da sua filha mais famosa.

O que se viu foi mais do que um desfile de Carnaval. Foi uma cidade inteira se reconhecendo no espelho de uma artista que saiu dali, conquistou o mundo e voltou para carimbar o próprio nome na história local. Juazeiro não recebeu apenas um show, recebeu um capítulo inteiro de identidade, economia e memória afetiva embalado em axé, suor e multidão.

Eu cravo sem medo de errar. Quando Ivete pisa no trio em Juazeiro, o Carnaval deixa de ser festa e vira declaração pública de pertencimento. E essa, meu amor, foi daquelas que ecoam muito além da avenida.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado