Eu fiquei sabendo e fui direto ajustar o fone, porque notícia boa também merece trilha sonora. A Itatiaia decidiu sair do banco do estúdio e sentar na cadeira principal da narrativa. Virou parceira oficial da websérie Tempo de Rádio e entrou em cena com aquele ar de veterana elegante que conhece o caminho, conhece o público e sabe exatamente o peso da própria voz.
A série tem sete episódios e faz um passeio completo pela trajetória do rádio, do mundo ao Brasil, com Minas Gerais puxando o fio dessa história. Das primeiras ondas eletromagnéticas aos podcasts e plataformas digitais, o projeto costura arquivos raros, depoimentos e reflexões que mostram como o rádio acompanhou mudanças tecnológicas sem perder relevância nem intimidade com o ouvinte.
E claro que a Itatiaia aparece como personagem central. Não como figurante nostálgica, mas como força ativa que ajudou a moldar o jornalismo, o esporte e a prestação de serviço no estado. Ao longo dos episódios, nomes históricos da emissora surgem como convidados de honra. Emanuel Carneiro, Acir Antão, Eduardo Costa, Mário Henrique Caixa e Pequetito representam gerações diferentes de microfone ligado, notícia quente e credibilidade construída ao vivo.
Nos bastidores, o discurso é afinado. A diretora de jornalismo Fernanda Rodrigues reforça que a Itatiaia acompanhou transformações sociais e tecnológicas sem se afastar do ouvinte. Na tradução livre da Kátia, mudou o suporte, mudou o jeito de consumir, mas a voz continuou colada no ouvido de Minas.
O projeto foi viabilizado por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com patrocínio da CEMIG e apoio do Governo de Minas Gerais, da Itatiaia, da Rádio Inconfidência e da Rede Minas. Um movimento que trata rádio como patrimônio vivo, não como peça de arquivo empoeirado.
Resumo da ópera. A Itatiaia não aparece para contar história alheia. Ela assume o protagonismo, segura o microfone com segurança e lembra que rádio em Minas tem memória, influência e muito fôlego. Virou série. E das que ficam na cabeça depois que o som baixa.