Eu lembro como se fosse ontem, amigas. A Globo lançou A Força do Querer e, junto com ela, nasceu a Ritinha, aquela paraense anfíbia que fazia pose de escama com a maior naturalidade. Para viver a criatura, Isis Valverde virou atleta olímpica de aquário. Teve apneia, aula de natação, gravação submersa, peixe curioso passando no quadro e até tubarão em programa de TV para fechar o pacote coragem. A emissora vendeu a imagem da sereia brasileira e o público comprou com juros. Desde então, qualquer braçada dela vira prova científica de vocação aquática.

A novela acabou e a Ritinha continuou nadando fora da tela. Eu vejo o feed e penso, essa mulher se sente em casa dentro d’água. Fernando de Noronha virou endereço emocional. Mar aberto virou tapete vermelho. Piscina noturna ganhou clima de after de Oscar. O resultado aparece rápido. Campanha de moda praia chama. Marca de beleza chama. Lifestyle chama. A sereia urbana, bronze certo, cabelo com sal e zero esforço aparente. Meme para a internet, assinatura para a carreira.
Enquanto a timeline grita saudade, a atriz afina o rumo. Depois de anos de contrato fixo, Isis escolheu cinema, série, streaming e uma conversa curiosa com tecnologia e entretenimento digital. Eu adoro quando subestimam e depois engolem seco. Ela mantém a imagem que o público reconhece na primeira braçada e amplia o território. Popular aqui, ambiciosa lá fora. A sereia atravessa fronteira sem perder o rebolado.

No Brasil do scroll infinito, muita gente já tentou virar deusa da praia. Poucas sustentaram a narrativa. Isis sustenta. Cada vídeo nadando acende a memória da Ritinha e confirma um truque simples e eficaz. Repetição com propósito. Água como cenário fixo. Desejo como consequência. Aos 38, ela circula por cinema, publicidade e streaming com a cauda como cartão de visitas. Eu chamo de método sereia. A web chama de meme. O mercado chama de acerto.