Eu estava aqui em Milão, de máscara de pepino no hotel e tentando ter cinco minutos de paz estética, quando meu telefone tocou com aquele tipo de informação que a Cátia respeita. O que me chegou foi o seguinte, Ísis Valverde virou o ponto de atração do jantar que a Nina Ricci armou no Copacabana Palace para lançar o perfume Vênus Intense no Brasil.


Me contaram que a proposta da noite era reunir moda, gastronomia, música e o universo da fragrância num mesmo salão, daqueles em que ninguém respira por acaso e até o gelo do copo parece ter sido aprovado por três pessoas. Ísis apareceu com look da grife, ocupando esse lugar que as marcas adoram, o da mulher que empresta presença sem precisar fazer esforço para dominar a sala. Tem evento em que o perfume é o lançamento. E tem evento em que a verdadeira vitrine é quem chega usando o perfume como contexto.

Também me passaram que houve drink inspirado nas notas da fragrância e um pocket show de Bianca Chami, tudo desenhado para criar essa sensação de experiência completa, palavra que o povo do luxo ama porque ela parece justificar qualquer vela, flor ou copo bonito. O perfume vem embalado nesse discurso de feminilidade intensa, frasco preto e dourado, flor de tiaré, patchouli ambarado e uma aura de poder muito bem calculada. Chique, claro. Espontâneo, jamais.


O meu radar de perua velha de guerra diz o seguinte, a Nina Ricci não queria só apresentar um produto, queria fazer uma entrada social bonita no mercado brasileiro. E para isso escolheu o caminho mais clássico do mundo, botar uma estrela de peso no centro da fotografia e deixar o resto trabalhar ao redor. Eu tô fazendo a unha entre uma notícia e outra e te digo, perfume pode até ser o motivo oficial, mas nesses jantares o que realmente fica no ar é prestígio.

No fim, o babado não é só que teve jantar, perfume e cenário de cinema à beira-mar. O babado é que Ísis foi colocada exatamente onde uma maison quer uma mulher como ela, no meio da narrativa, servindo imagem, desejo e status sem precisar abrir a boca.