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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Investigação do FBI contra Argentina tem a ver com interferência de Trump na Copa? Entenda a confusão

Federação Argentina virou alvo de apuração nos EUA por transações milionárias, enquanto Trump é acusado de influenciar decisões da Fifa; até agora, não há prova de conexão direta, mas a confusão mostra como a Copa virou tabuleiro político em solo americano

Kátia Flávia

08/07/2026 13h47

Donald Trump admitiu que ligou para Gianni Infantino para pedir revisão da punição de Balogun na Copa

Donald Trump admitiu que ligou para Gianni Infantino para pedir revisão da punição de Balogun na Copa

A investigação do FBI contra a Federação Argentina de Futebol, a AFA, não tem, até agora, ligação comprovada com a interferência de Donald Trump em decisões da Fifa na Copa do Mundo de 2026. O que existe são dois fatos explosivos acontecendo no mesmo cenário: de um lado, autoridades americanas apuram movimentações financeiras da AFA nos Estados Unidos; de outro, Trump admitiu ter pressionado Gianni Infantino para rever uma punição contra um jogador da seleção americana.


Eu estava tentando almoçar com alguma dignidade depois de uma manhã que começou pesada, mas o prato mal tinha chegado à mesa quando o celular virou uma audiência pública do esporte mundial. FBI de um lado, Argentina do outro, Trump no meio, Infantino sorrindo em foto oficial e a Copa parecendo reunião de condomínio bilionário com advogado em todas as cadeiras. Minha filha, eu só queria mastigar em paz, mas o futebol decidiu abrir uma CPI internacional bem na hora do garfo.

 Claudio Tapia, presidente da AFA, comanda a federação argentina investigada por transações milionárias nos Estados Unidos
Claudio Tapia, presidente da AFA, comanda a federação argentina investigada por transações milionárias nos Estados Unidos


Vamos por partes, porque essa fofoca tem muitas gravatas. Segundo a CNN Brasil, com base em informações publicadas pelo jornal argentino La Nación e pela Itatiaia, o FBI e procuradores federais dos Estados Unidos investigam transações financeiras da AFA que passariam de US$ 300 milhões, algo em torno de R$ 1,55 bilhão. A apuração busca entender se operações feitas no sistema financeiro americano podem configurar crimes como lavagem de dinheiro ou fraude bancária.


O foco envolve a gestão de Claudio Tapia, presidente da AFA, e a relação da federação com a empresa TourProdEnter LLC, que atuava como agente de cobrança de contratos internacionais da entidade com patrocinadores e parceiros comerciais. Entre os contratos citados estão acordos milionários com Adidas e Warner. Até aí, a história é financeira, pesada e com cheiro de planilha que ninguém quer abrir perto de procurador americano.


Do outro lado da mesa vem Trump, que não está sendo citado nessa investigação contra a AFA. A confusão com ele é outra, mas igualmente barulhenta. O Estadão revelou como o presidente dos Estados Unidos escancarou sua influência sobre a Fifa durante a Copa. O caso mais escandaloso foi o do atacante Falorin Balogun, dos EUA, que teve uma suspensão revista depois de Trump ligar para Infantino e pedir uma “revisão justa” da expulsão.


Trump confirmou publicamente que falou com o presidente da Fifa. Disse que viu o lance, achou que não houve falta e ainda chamou o árbitro brasileiro Raphael Claus de “suspeito”. A Fifa, por sua vez, sustentou que a decisão final coube ao Comitê Disciplinar, apresentado como órgão independente. Independente igual amiga que jura que não se mete no namoro dos outros, mas já está com o print aberto, né?


A pergunta então é: a investigação do FBI contra a Argentina tem a ver com essa interferência de Trump na Copa? Pelo que se sabe até agora, não diretamente. A apuração contra a AFA teria ganhado forma em 2025 e mira movimentações financeiras em território americano. Já a pressão de Trump sobre a Fifa ocorreu dentro do contexto esportivo e político da Copa, especialmente depois da expulsão de Balogun.
Mas é aí que mora o tempero. Mesmo sem ligação formal entre os casos, os dois episódios revelam uma coisa maior: a Copa nos Estados Unidos virou um território onde futebol, política, Justiça, dinheiro e poder se embolaram de um jeito perigoso. O FBI olha para contratos da federação argentina. Trump liga para Infantino por causa de cartão vermelho. A Fifa diz que tudo é independente. E eu fico aqui pensando que, se isso é independência, eu sou uma volante norueguesa marcando Neymar.


A relação entre Trump e Infantino também ajuda a explicar por que qualquer movimento americano em torno da Copa acende suspeita. O presidente da Fifa se aproximou muito do republicano, abriu escritório da entidade na Trump Tower, participou de eventos próximos ao governo americano e recebeu de Trump um tratamento quase de aliado estratégico. Segundo o Estadão, até o sorteio da Copa mudou para Washington por influência do presidente dos EUA, quando a ideia inicial da Fifa era Las Vegas.


E não foi só no cartão de Balogun. A política migratória americana também atravessou o Mundial, com restrições de vistos que afetaram torcedores de países como Haiti, Senegal, Costa do Marfim e Irã. Até um árbitro somali relatou ter sido barrado para entrar nos Estados Unidos. A seleção iraniana, em guerra diplomática com os americanos, precisou se hospedar no México e viajar aos EUA apenas na véspera dos jogos.


Ou seja, não dá para afirmar que Trump mandou o FBI olhar para a AFA, nem que a investigação contra a Argentina nasceu de interferência esportiva. Isso seria irresponsável. Mas dá para dizer que o ambiente é uma panela de pressão. A Argentina está nas quartas da Copa, a federação dela é investigada por cifras gigantescas nos EUA, Trump aparece metendo a mão em decisão da Fifa e Infantino tenta convencer o mundo de que está tudo normal.

 Gianni Infantino se aproximou de Trump durante a organização da Copa de 2026 nos Estados Unidos
Gianni Infantino se aproximou de Trump durante a organização da Copa de 2026 nos Estados Unidos


Eu, sinceramente, não compraria essa normalidade nem parcelada. Quando uma Copa tem investigação federal, presidente americano telefonando para cartola, árbitro brasileiro sendo atacado da Casa Branca e federação campeã do mundo sob lupa financeira, a gente não está mais falando só de futebol. Está falando de poder. E poder, no futebol, sempre entra em campo de chuteira limpa e sai deixando rastro no gramado.


No fim, a resposta curta é: não há prova de ligação direta entre o FBI investigar a AFA e Trump interferir na Fifa. A resposta longa é muito mais interessante: a Copa de 2026 virou o palco perfeito para mostrar que, nos Estados Unidos, até cartão vermelho pode virar assunto de presidente, e até contrato de federação sul-americana pode cair na mesa do FBI. Se a Argentina levantar a taça no meio desse furacão, minha filha, a festa vai precisar de confete, advogado e extrato bancário.

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