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Kátia Flávia
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Inter dá Porsche e flores a Boca Rosa e oficializa o namoro

Banco transforma os 15 anos de carreira de Bianca Andrade em continuação da campanha “Relacionamento Financeiro” e leva a publicidade para dentro da festa da empresária.

Kátia Flávia

06/10/2026 15h30

Bianca Andrade chegou à festa de 15 anos de carreira em uma Porsche branca e com um buquê de flores em ação do Inter.

Bianca Andrade chegou à festa de 15 anos de carreira em uma Porsche branca e com um buquê de flores em ação do Inter.

Eu estava em Sintra quando vi Bianca Andrade chegando à própria festa de 15 anos de carreira numa Porsche branca, com um buquê de rosas laranja nas mãos. Larguei o café. O Inter resolveu que publicidade discreta é para quem ainda está na fase do primeiro encontro.

O banco pegou uma comemoração pessoal de Boca Rosa e transformou a chegada da empresária em mais um capítulo de “Relacionamento Financeiro”, campanha lançada em setembro e protagonizada por ela. Carro, flores e festa entraram no roteiro para vender a ideia de que Bianca e Inter estão vivendo um “relacionamento sério”.

E aqui está a parte interessante da jogada: o produto praticamente desaparece e a história assume o volante. Em vez de colocar Bianca diante de uma câmera explicando conta, crédito ou investimento, o Inter usa códigos de namoro para falar da relação das pessoas com dinheiro.

A escolha dos 15 anos também não caiu do céu. A marca aproveitou uma data real da trajetória de Bianca e entrou numa celebração que já teria atenção, fotos e repercussão. É publicidade querendo deixar de parecer intervalo comercial e entrar diretamente no enredo.

Segundo o material da campanha, a estratégia foi criada pela Talent, com a frente de influência operacionalizada pela BR Media. O conceito é simples: se dinheiro faz parte da vida adulta, o banco quer convencer o consumidor de que também merece relacionamento sério. E aparentemente relacionamento sério agora chega de Porsche.

Bianca disse que a surpresa preparada pelo Inter tornou a comemoração ainda mais marcante e levou para a “vida real” a história construída na campanha. Para a marca, a empresária representa justamente uma trajetória de crescimento profissional associada à transformação da própria vida financeira.

Do alto de Sintra, meu diagnóstico é outro: o Inter não mandou flores para Boca Rosa. Mandou flores para o algoritmo. E escolheu uma mulher que sabe transformar praticamente qualquer acontecimento da própria vida em conteúdo, marca e negócio.

Nesse casamento, ninguém está jogando o buquê. Está todo mundo calculando alcance.

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