Eu aviso logo, meus amores. Carnaval não acontece só no trio elétrico nem no close do camarote. Carnaval de verdade nasce no chão quente, na mão calejada e no corre diário de quem faz a festa existir. E este ano eu bati palmas, com unha postiça e tudo, para o Instituto Heineken.
Pelo terceiro ano seguido, a marca resolveu sair do discurso bonito e entrar no jogo pesado da realidade. Resultado. Mais de 4 mil profissionais apoiados no Carnaval de Recife e Olinda. Sim, quatro mil. Não é figurante, é elenco principal.
Estamos falando de cerca de 2,5 mil catadores cadastrados, gente que transforma lata vazia em dinheiro vivo, sendo 1.100 no Recife e 1.400 em Olinda. Soma aí aproximadamente 2 mil vendedores ambulantes, que seguram a sede do público e o faturamento da festa.
E olha que o apoio não vem com promessa vaga. Durante todos os dias de folia, os catadores recebem EPI, kit de higiene, transporte, alimentação e acesso à Casa do Catador. Um espaço com refeição diária, banheiro decente, área de descanso e suporte operacional. Luxo? Não. Dignidade.
Ainda tem acolhimento social, com orientação em saúde mental e apoio para famílias e crianças por meio da Casa Pequeno Folião. Enquanto uns só pensam no after, aqui alguém pensou em quem acorda cedo no dia seguinte.
No Recife, o material reciclável coletado será pago com valor 30 por cento acima do preço de mercado. Isso não é aplauso simbólico, é reconhecimento financeiro. Em Olinda, a Casa de Apoio ao Catador entra em cena com patrocínio da Caixa Econômica Federal, parceria de Novelis e Valgroup e execução da Verdiera. No Recife, o projeto acontece junto com a Prefeitura e a Emlurb, garantindo estrutura para o trabalho acontecer sem improviso.
E os ambulantes? Nada de largar o povo à própria sorte. Eles entram em um programa de treinamento focado em empreendedorismo, negociação e gestão de vendas. Também recebem cestas básicas e kits de apoio, antes e depois da festa. Porque ninguém vive só de confete.
A fala de Vânia Guil, head do Instituto Heineken, resume o espírito da coisa. Carnaval só existe porque catadores e ambulantes estão nas ruas todos os dias, garantindo reciclagem e levando produto ao público. Desde 2023, o Instituto atua para apoiar, reconhecer e valorizar esses profissionais, que fazem a engrenagem girar.
Eu observo tudo isso com meu olhar dramático e chego à conclusão óbvia. Enquanto muita gente disputa holofote, tem quem esteja cuidando do backstage. E no Carnaval de Pernambuco, esse backstage tem nome, endereço e impacto real.
Pode anotar aí. Sem esse povo, não tem festa. E sem apoio de verdade, não tem futuro para a folia.