A enlouquecida da Ingrid esteve ontem no poderoso Roda Viva da Tv Cultura , luz acesa, bancada afiada e a “bonita” confortável no sofá. Bastou uma lembrança para o estúdio rir e a internet fazer screenshot. Na minha época, a gente comprava vibrador escondido. Dito assim, com cara de quem sabe exatamente do que está falando e zero vontade de pedir desculpa.
A fala veio no rastro de um papo mais amplo sobre prazer feminino, mercado e o efeito dominó que a comédia provoca quando decide ser honesta. Ingrid puxou a memória de De Pernas pro Ar, o filme que entrou na conversa doméstica e saiu empurrando porta de loja. Resultado prático, vendas de artigos sexuais dispararam, clínicas ouviram perguntas novas e até mulheres da terceira idade passaram a perguntar se podia usar. Podia, claro que podia.
O choque maior não foi o vibrador, foi a naturalidade. Antes, compra feita com olhar de lado e caixa discreta. Depois, carrinho online, loja aberta, gente vivendo disso. Ingrid observou o mercado virar negócio, mulheres vendendo, homens aprendendo a lidar e todo mundo percebendo que um objeto pequeno não ameaça ninguém com maturidade suficiente.
No Roda Viva, o humor serviu de alavanca. Nada de palestra, nada de sermão. Uma frase direta, risada solta e um recado corporativo bem entendido. Quando a comédia encosta no cotidiano, o país aprende rápido. E aprende rindo.