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Kátia Flávia
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Ingrid Guimarães, macaco Katu e o biólogo que preferiu o amigo ao animal

O macaco Katu, que participou do filme “Perrengue Fashion” ao lado de Ingrid Guimarães, virou caso na Justiça de São Paulo por fraude documental e maus-tratos praticados pelo adestrador André Poloni. O capítulo mais revelador da história, porém, ficou por conta do biólogo Henrique Abrahão Charles, que tem 3 milhões de seguidores, fama construída na defesa dos animais, e que se recusou a ajudar a tutora do macaco por ser amigo pessoal do acusado

Kátia Flávia

02/05/2026 10h30

moldebjbr

Ingrid Guimarães, macaco Katu e o biólogo que preferiu o amigo ao animal | Reprodução

Uma amiga me ligou cedo, enquanto eu ainda tomava café aqui em Cosme Velho, para me contar o que estava circulando nos bastidores do mundo animal. O nome no centro da história era o da empresária Camila Sayuri, de Barretos, que luta na Justiça paulista para recuperar o macaco-prego Katu, de 9 anos, que apareceu no longa “Perrengue Fashion”, lançado em 2025 com Ingrid Guimarães no elenco.

O caso tem todos os ingredientes para virar escândalo. Segundo Camila, o adestrador André Poloni teria fraudado a documentação do animal para levá-lo ao set de gravações, substituindo o registro do Katu pelo de outro macaco de sua propriedade que estava com a papelada em dia. As acusações não param na fraude: ela denuncia maus-tratos graves, incluindo alimentação uma vez ao dia para um animal que precisa comer oito vezes, além do fornecimento de Danone ao macaco silvestre e a venda de cursos ensinando terceiros a fazerem o mesmo. Poloni ficou com o Katu por cinco anos após Camila enviá-lo para um treinamento que deveria durar quatro meses. Procurado pelo EXTRA, o adestrador não respondeu.

Sem conseguir reaver o animal pelos caminhos diretos, Camila criou um perfil para o Katu no Instagram, que hoje reúne quase 90 mil seguidores, e passou a acumular denúncias publicamente. A repercussão rendeu um processo contra o Estado de São Paulo. A Justiça determinou a transferência do macaco para o Centro de Triagem e Recuperação de Animais Silvestres, o Cetras, em São Paulo, mas negou o retorno à tutora, citando como agravante o uso comercial do animal. Camila já tem laudo veterinário em mãos e pretende levar o caso ao Ministério Público.

Aqui mora o detalhe que mais me prendeu nessa história toda. Camila pediu ajuda ao biólogo Henrique Abrahão Charles, aquele mesmo que você provavelmente acompanha nas redes pela defesa intransigente dos animais e pelos mais de 3 milhões de seguidores conquistados em cima dessa causa. A resposta veio em áudio: ele disse que conhece Poloni pessoalmente, que não vai tomar partido, e que se precisasse escolher um lado, ficaria com o do amigo. Ficou registrado. Um nome que fez da causa animal o seu negócio e a sua marca, mas que, diante de um caso concreto de suposto abuso e fraude, achou que a lealdade ao amigo pesa mais do que o animal em sofrimento. Camila resumiu bem: se ele salva animais de estranhos, por que não salvaria do próprio amigo?

Katu está no Cetras. Poloni segue calado. E Henrique Abrahão Charles aguarda o retorno da reportagem. Quando essa história se mover, eu conto.

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