Meus amores, recebi esse comunicado de imprensa no meio de uma drenagem e quase levantei da maca. Chegou como “divulgação imediata”, todo formal, assessoria e tudo, pra me anunciar que a influenciadora Mel Breia, de 24 anos, afirma ter faturado mais de R$ 300 mil vendendo calcinha usada em sites especializados. Repito, com assessoria de imprensa. A menina profissionalizou o que muita gente faria de fininho e ainda mandou press release. Respeito o desembaraço.
Vamos ao fato, porque ele é sério apesar do meu riso. Mel conta que o negócio nasceu depois que ela ganhou público em plataforma de conteúdo adulto e começou a receber propostas pelas peças que usava. O que era curiosidade de assinante virou linha de receita com tabela e tudo. Segundo ela, não existe preço fixo: peça do dia a dia tem um valor, e pedido que exige mais tempo de uso ou alguma condição específica custa mais. Ou seja, quanto mais detalhe o freguês pede, mais o boleto engorda. Precificação por complexidade, gente. A Faria Lima cobra consultoria pra ensinar isso.

E olha a sacada de posicionamento, porque é aqui que a coisa fica boa. Mel diz que o comprador não quer só a peça, quer a sensação de receber algo exclusivo e ligado à pessoa que ele acompanha na tela. Traduzindo do marketês: ela não vende tecido, vende vínculo. É fidelização de marca com CNPJ imaginário. Qualquer diretor de branding de banco digital chora de inveja dessa taxa de conversão entre seguidor e cliente pagante.
Agora deixa eu fazer minha leitura de bastidor, que é pra isso que me pagam. O timing desse release não é inocente. Mandar isso pra imprensa com direito a título de “faturou 300 mil” e crédito de Playboy Nova Zelândia é jogada de mídia manjada e eficientíssima: o número escandaliza, a manchete viaja, o nome ranqueia, e de repente a moça vira assunto em coluna, em portal e em grupo de família. A calcinha é o produto, mas a notícia é o verdadeiro outdoor. Ela vendeu peça íntima e comprou capa de graça no mesmo movimento.

Veredito da Kátia: podem torcer o nariz à vontade, e eu sei que muita gente fez cara de Caixa Econômica negando empréstimo, mas do ponto de vista de negócio a menina identificou demanda, criou tabela, blindou margem e ainda contratou assessoria. Enquanto os engravatados fazem PowerPoint sobre “economia da intimidade”, ela já está no lucro. Deselegante? Talvez pro seu gosto. Ineficiente? Nem sob tortura. Eu sigo aqui, de roupão, tomando meu chá e aplaudindo o descaramento comercial. Que venha o próximo comunicado — de preferência depois que eu terminar a drenagem.