Almoço na Casa Jondal, pé na areia, um dos endereços mais disputados de Ibiza, daqueles que exigem reserva com semanas de antecedência. Frutos do mar na mesa, serviço impecável, mar batendo ali na frente. Foi no meio dessa paz que o celular apitou com uma história que me fez largar o garfo. Fone de ouvido some todo dia na vida de qualquer pessoa. Sumir para dentro da própria dona é categoria nova.
O caso é de Emelly Souza, 24 anos, influenciadora fitness e naturista. Ela conta que toma cerca de dez cápsulas pela manhã, entre vitaminas, minerais e outros suplementos da rotina de treino. Naquele dia, juntou tudo na mão sem conferir, levou um dos AirPods à boca acreditando que era mais uma cápsula, engoliu com água e seguiu se arrumando como se nada tivesse acontecido. Segundo ela, no momento não sentiu diferença nenhuma.

A ficha caiu pouco antes de sair de casa. Faltava um dos fones. Emelly revirou bolsa, roupa e tudo que estava por perto, não achou, e fez o que qualquer pessoa faria: abriu o aplicativo Buscar e mandou reproduzir som. O aparelho começou a apitar. Ela colocou a mão na barriga, percebeu de onde vinha o barulho e, nas palavras dela, “gelei”.
E aí vem a parte que eu considero antológica. Emelly diz que acompanhou a localização do fone pelo aplicativo até ele ser eliminado naturalmente. Ou seja, a mulher passou horas monitorando o próprio trânsito intestinal por rastreamento, com precisão que muita transportadora gostaria de ter.
Ela mesma resumiu que não sabia se chorava ou ria, porque a história parecia inventada, e apontou o vilão real do episódio: a repetição de hábitos no automático. Encerrou dizendo que continua tomando os suplementos, só que agora olhando exatamente o que coloca na boca.

Fica o registro. A tecnologia evoluiu ao ponto de o “cadê meu fone?” ter resposta definitiva, mesmo quando a resposta é constrangedora. E eu, que passo a vida procurando óculos escuros que estão na minha cabeça, volto para o meu prato com uma certeza. Nunca mais tomo nada de manhã sem acender a luz do quarto.