Acordei com o telefone tocando e atendi a chamada de vídeo ainda sentada na cama, sem café, sem nada. Desliguei e fiquei um tempo olhando para a parede do quarto. Tem notícia que estraga o dia antes mesmo de o dia começar.
Mina Chan tinha 26 anos, mais de 80 mil seguidores no TikTok e fazia conteúdo sobre K-pop. A Delegacia de Polícia de Yongsan informou ao jornal Korea Herald que ela foi encontrada morta às 5h33, depois de uma denúncia. O caso aconteceu em 5 de agosto e só veio a público na segunda-feira, dia 10. A irmã mais nova confirmou a morte em um story no Instagram, pedindo que as pessoas mantivessem Mina em seus pensamentos.

O que veio antes já estava tudo à vista. As críticas contra ela cresceram depois de um show do ENHYPEN nos Estados Unidos, no mês passado, quando Mina tentou convencer Sunoo a entregar flores para Ni-ki, também integrante do grupo. Parte dos fãs acusou a influencer de ter ultrapassado o limite, e a partir dali a perseguição virou rotina nos perfis dela.
Ela chegou a publicar um pedido de desculpas longo no X. Reconheceu o comportamento, disse lamentar ter atrapalhado o clima do evento e se desculpou com o artista e com os fãs. Não bastou. Nunca basta, e quem acompanha fandom de perto sabe disso. O pedido de desculpas costuma ser lido como confissão, e a cobrança continua todo dia, feita por gente que se reveza e nunca precisa assinar o próprio nome.

É aí que mora a parte que ninguém quer encarar. Cada mensagem isolada parece pouca coisa para quem manda e vira uma parede para quem recebe. Uma menina de 26 anos passou semanas administrando isso sozinha, em público, e o resultado é uma família pedindo orações na internet.
Se você está passando por sofrimento emocional, o CVV atende 24 horas pelo telefone 188, com ligação gratuita, e também por chat. Os CAPS oferecem atendimento gratuito pelo SUS.