Eu confesso que gargalhei. Daquelas gargalhadas com leque na mão e olhar de quem já viu esse roteiro antes. Igor Kannário anunciou com solenidade que bloqueou Ivete Sangalo porque ela resolveu segui lo agora. Agora, veja bem, depois de apenas vinte e cinco anos de carreira, uma frota de trios, estádios lotados e um império chamado Ivete Sangalo S.A.
Segundo ele, a Rainha só resolveu enxergar o Príncipe ontem. Ontem. No Carnaval. Em Salvador. Eu adoro essa ideia de que Ivete acordou, abriu o Instagram e pensou: “Nossa, hoje vou validar alguém”. Amores, Ivete mal tem tempo de validar o próprio café da manhã.
Kannário disse que nunca recebeu apoio, que nunca foi chamado, que nunca foi curtido. Meu bem, isso não é abandono, é hierarquia artística. Ivete não é SAC do axé, nem central de acolhimento emocional do Carnaval. Ela é a artista que construiu o próprio trono trabalhando enquanto outros ainda estavam discutindo quem devia seguir quem.
O discurso veio com aquela mágoa clássica de bastidor, embrulhada em orgulho ferido. Ele falou da mãe, falou de respeito, falou de bloqueio como se fosse um ato político. Só esqueceu de combinar com a realidade. Block em Ivete não rebaixa a Ivete. Só revela quem achou que um follow era reconhecimento histórico.
Enquanto isso, a Rainha fazia o que sempre faz. Cantava, sorria, puxava trio, sustentava a festa e seguia alheia ao drama alheio. Ivete não responde com textão, responde com agenda lotada. Não rebate com entrevista, rebate com aplauso. É outro campeonato, querido.
Eu amo quando o Carnaval entrega essas pérolas. Um lado achando que está fazendo revolução digital, o outro simplesmente vivendo no Olimpo do axé. Kannário bloqueou. Ivete seguiu. Seguiu a vida, seguiu a carreira, seguiu sendo a única pessoa que pode ser chamada de Rainha sem precisar explicar nada.