Amores , eu sempre presto atenção quando política invade a folia, porque carnaval não costuma mentir. Em João Pessoa, o recado veio em forma de vaia. Vídeos que circularam nas redes mostram o nome de Hugo Motta sendo citado no palco de um evento de pré-carnaval e, na sequência, parte do público respondendo com vaias e um coro de “Fora Hugo Motta” que se espalhou no meio da festa.
Aqui entra o ponto que muda a leitura do episódio e precisa ser dito com todas as letras. O gato do Hugo Motta não estava no evento. Segundo a assessoria do deputado, ele não participou da festa nem se encontrava no local no momento em que o nome foi mencionado e a reação aconteceu. O alvo das vaias foi o nome, não a presença física.
Mesmo assim, o impacto foi imediato. Bastou a citação no palco para o público transformar o momento em protesto coletivo, daqueles que atravessam o som do trio e viram assunto de rede social em segundos. Não foi um grito isolado, foi resposta em coro, registrada de vários ângulos e amplificada online.
O detalhe político que deixa a cena ainda mais simbólica é que o desgaste veio apesar de o parlamentar ter destinado recursos, por meio de emendas, para o pré-carnaval e para o Folia de Rua na capital paraibana. O dinheiro chegou, a festa aconteceu, mas o carinho popular não veio junto no pacote.
Eu observo e anoto. Carnaval é vitrine popular, é palco sensível, é microfone aberto sem filtro. Mesmo fora do evento, Hugo Motta acabou virando presença sonora na festa, citado, vaiado e transformado em refrão político no meio da folia.