Claudia Raia voltou a falar sobre uma tentativa de abuso sexual que sofreu aos 13 anos, durante uma temporada de estudos em Nova York. A atriz contou, em entrevista ao podcast A Mamãe Já Volta, que estava hospedada na casa de um coreógrafo conhecido da família quando foi atacada.
Eu estava no terraço do The Standard, em Ibiza, tentando decidir se encarava um arroz negro com lula ou se ficava só no espumante e na indignação, quando esse relato apareceu na tela. E tem história que faz a taça parar no ar. Claudia contou uma daquelas memórias que não pedem fofoca, pedem respeito e ouvido aberto.

“Fui assediada aos 13 anos. Fui para Nova York, [porque] ganhei uma bolsa de estudos do American Ballet Theater. Minha mãe [estava] sacrificadíssima para me mandar para lá”, contou a atriz. Segundo ela, a mãe a deixou na casa de um coreógrafo americano em quem confiava, por ele já ter dado cursos de férias na academia da família.
Claudia relatou que o homem morava no Harlem, era casado e tinha uma filha. Em um momento em que a esposa e a criança saíram para passear, ele ficou sozinho com ela no quarto onde a atriz estava hospedada.
“Nós, bailarinos, somos muito livres com o corpo, de botar a mão na perna, se tocar, é normal. Ele sentou e botou a mão na minha perna, tranquilo. Mas minha mãe sempre disse: ‘Se alguém te tocar ou fizer alguma coisa que você não queira, jogue na cabeça dessa pessoa o que tiver do seu lado’. Isso foi fundamental”, relembrou.
Foi exatamente o que ela fez. Quando percebeu que o coreógrafo avançava, Claudia viu uma coruja de cristal usada como peso de papel e reagiu. “Porque, no que ele foi subindo a mão, eu fui percebendo. Olhei para o lado e tinha uma coruja de cristal de peso de papel. Vi aquilo [e pensei que, se] ele fosse avançar, eu [usaria]. Ele avançou e eu [atingi] a cabeça dele. O homem desmaiou, [ficou] com uma coisa aberta na cabeça, sangrando. Bem-feito”, disse.
Eu larguei o guardanapo de linho na mesa nessa hora. Porque poucas frases carregam tanta justiça instantânea quanto esse “bem-feito”. Não romantiza a violência, não apaga o trauma, mas diz uma coisa muito simples: uma menina de 13 anos teve que se defender sozinha de um adulto que traiu a confiança de uma família inteira.
Depois da reação, Claudia contou que saiu correndo pela rua, chorando e sem saber para onde ir. “Eu não sabia o que fazer, peguei as roupas que eu vi, coloquei na mala, saí correndo pelo meio do Harlem, chorando. Não tinha para onde ir”, recordou.
A atriz disse que tentou encontrar uma cabine telefônica para ligar para a mãe, até ser reconhecida por uma professora de balé moderno do Ballet Stagium, que a encontrou sentada com a mala. “Essa história é pesada. Passei por coisas inacreditáveis. Mas também voltei outra pessoa, podendo guerrear com qualquer coisa”, refletiu Claudia.

E eu, aqui em Ibiza, pedi a conta antes do jantar chegar porque tem relato que muda o ritmo da noite. Claudia Raia transformou uma memória duríssima em alerta, e a mãe dela deixou uma lição que atravessou décadas: quando o corpo diz não, não existe educação, talento ou prestígio alheio que mande calar.