Eu assisti à entrevista de Henri Castelli com aquele nó na garganta que não tem glamour nenhum. Não é drama de reality, não é exagero de edição, não é VT construído. É um homem assustado contando que, dentro do Big Brother Brasil 26, o corpo falhou e a cabeça entrou em pânico. Pânico de verdade. Do tipo que paralisa e faz a pessoa achar que não vai sair viva dali.
No Fantástico, Henri falou pela primeira vez sobre as convulsões que o tiraram do jogo ainda nos primeiros dias. E o relato é cru. Ele conta que começou a sentir sinais antes da Prova do Líder, bambeou, a visão embaralhou e, mesmo assim, tentou seguir. Até o corpo puxar o freio de mão sozinho. Ele caiu sabendo que estava caindo. E isso, convenhamos, é apavorante.

O trecho que me desmonta é quando ele admite que entrou em pânico no hospital. Chorou. Teve medo de morrer. Não sabia o que estava acontecendo com o próprio corpo. Não é figura de linguagem. É alguém tentando entender se vai acordar no dia seguinte. Todos os exames deram normais depois, nenhum dano neurológico, nenhuma sequela. Mas o susto ficou. E fica mesmo.
Henri também fala do cansaço acumulado antes mesmo do confinamento. Um mês dormindo mal, exaustão diária, rotina pesada. O BBB entrou como gatilho final. A casa não criou o problema, mas apertou o botão errado na hora errada. Resultado: o corpo pediu socorro em rede nacional.

O mais honesto da entrevista é quando ele reconhece que foi triste sair tão cedo, mas necessário. Não tem vitimismo, não tem revolta com a produção, não tem discurso ensaiado. Tem gratidão por estar bem e consciência de que a experiência serviu como alerta de vida. Ele está em tratamento, tomando medicação, reorganizando tudo.
Esse depoimento muda o jeito de olhar para o BBB 26. Porque ali não foi jogo, foi limite humano. Não foi estratégia, foi sobrevivência. E quando um homem adulto, experiente, bem-sucedido, senta diante das câmeras e diz que teve medo de morrer, a gente entende que não é entretenimento. É realidade batendo sem aviso.
Henri Castelli saiu do BBB pela porta da saúde. E, sinceramente, saiu do jeito mais digno possível.