Amoressss, liguei para uma amiga de Los Angeles pra perguntar sobre esse trailer do He-Man que saiu ela me contou tudo, sobre, essa história é novela industrial daquelas cheias de promessa, traição criativa e produtor sumindo no meio do capítulo.
O caso do He-Man e os Mestres do Universo é simples e trágico. Todo mundo quis. Ninguém conseguiu. Hollywood namorou o boneco musculoso por quase duas décadas e sempre largava no altar depois da leitura do orçamento.
Enquanto isso, Barbie virou franquia bilionária em tempo recorde, dessas que fazem executivo tatuar o logo no coração. He Man ficou ali, encostado na prateleira, olhando o sucesso alheio e ouvindo promessa vazia de reunião em reunião.

Pra entender o drama, tem que lembrar que He Man já tinha ido ao cinema lá atrás, naquele live action estrelado por Dolph Lundgren. Virou clássico cult, mais lembrado pela cafonice do que pelo impacto real. Aí veio a era da nostalgia, dos brinquedos ressuscitados, dos universos compartilhados, e alguém achou que era só repetir a receita de Transformers.
Achei ousado. Hollywood achou fácil. A realidade fez questão de humilhar.
O projeto rodou bonito até cair no colo da Sony Pictures. Teve roteirista entrando, roteirista saindo, diretor cogitado, data anunciada, data retirada, entrevista dizendo agora vai. Só que nunca ia.
Nos bastidores, o papo era sempre o mesmo. Medo de competir com Marvel e DC. Dúvida sobre falar com criança nova ou adulto saudosista. Orçamento alto demais pra uma marca que ninguém sabia se ainda botava gente na sala. Resultado, desenvolvimento eterno e filmagem nenhuma.

Aí chega a fase streaming. A Netflix entra em cena cheia de confiança, já animando Eternia em outras frentes e achando que o herói finalmente tinha encontrado casa. O plano era bonito, ambicioso, quase romântico. Filme épico, liberdade criativa, chance de virar franquia dentro da plataforma.
Nos corredores, se falava em sequência antes mesmo da primeira cena ser rodada. Aquela empolgação típica de quem acha que o algoritmo vai resolver tudo.

E aí vem o plot twist. Depois de gastar uma fortuna em desenvolvimento, testes e pré produção, a Netflix puxou o freio. Cancelou. Sumiu com o projeto. A desculpa extraoficial girava em torno de custos altos demais pra um épico de fantasia cheio de efeito visual, cenário grandioso e elenco de peso.
Fã ficou sem entender nada. Gente da indústria fingiu que nunca acreditou. He Man voltou pra lista maldita dos projetos caros que ninguém quer assumir até o fim.
Quando já chamavam o filme de amaldiçoado, a Amazon MGM Studios entrou no jogo. Pegou o projeto, fechou acordo, definiu cronograma, escalou diretor, elenco e cravou estreia nos cinemas em 2026.
Aqui o discurso interno muda. Não é só nostalgia. É épico global. É cinema com apoio de streaming. É risco assumido. Onde outros correram, a Amazon resolveu bancar e ainda fazer pose de salvadora da pátria muscular.
Depois de passar por Sony, Netflix e uma romaria de reuniões inúteis, o filme de He Man virou símbolo de tudo que dá errado em Hollywood. Projeto longo demais, caro demais, amado demais no papel e temido demais na prática.
Se der certo, vira argumento pra ressuscitar mais brinquedo antigo com orçamento de gente grande. Se der errado, entra direto nos livros de estudo sobre como nem todo ícone da infância aguenta atravessar o inferno do desenvolvimento industrial.
Da minha parte, eu assisto de camarote. Porque novela boa é essa. Aquela que demora, sofre, muda de emissora e ainda tenta voltar triunfal. Agora é esperar pra ver se o príncipe de Eternia vira protagonista de sucesso ou só mais um galã esquecido no capítulo final.