Eu estava terminando minha caminhada na Lagoa Rodrigo de Freitas com as amigas, naquele momento sagrado em que a gente toma uma água de coco e decide para qual lugarzinho vai depois falar mal da vida dos outros, quando meu telefone tocou. Olhei a foto e quase engasguei: Haaland cortou o cabelo. Gente, PARA TUDO. Acabaram com um patrimônio visual da humanidade sem consultar o Brasil.
O homem passou anos correndo pelos campos com aquele cabelão loiro ao vento, rabo de cavalo, cara de guerreiro viking que entrou no estádio errado e resolveu fazer gol. Aí aparece com os fios curtíssimos. Eu ampliei a foto. Diminuí. Ampliei novamente. Chamei as meninas. A caminhada terminou ali por questões de força maior.
E a mudança tem peso porque o cabelão já fazia parte da identidade de Erling Haaland. O atacante do Manchester City tinha nos fios longos uma de suas características mais reconhecíveis. Agora, de cabelo curto, o rosto ganhou outro protagonismo e a aparência ficou completamente diferente. A tesoura trabalhou mais neste domingo do que muita gente em agosto inteiro.
Foi aí que procurei a visagista e terapeuta capilar Mari Borges, porque eu precisava de uma explicação profissional para o meu pequeno colapso dominical. Segundo ela, quando uma característica é mantida por muito tempo, deixa de ser apenas estética e passa a integrar a identidade visual da pessoa. Ao retirar esse elemento, muda também a maneira como rosto, expressão e até postura são percebidos. “É como se o público fosse apresentado a uma nova versão daquela mesma pessoa”, explica.
Mari observa ainda que os fios longos ajudavam a construir em Haaland uma imagem ligada à força e ao aspecto “guerreiro”. Com o corte rente à cabeça, o rosto aparece mais e o conjunto ganha uma leitura mais limpa, objetiva e atlética. A personalidade continua lá. O cabelão, meus amores, foi jogar em outro campeonato.
E lá fui eu embora da Lagoa ainda inconformada, água de coco numa mão e celular na outra. Porque futebol eu até aceito discutir. Agora, mexer justamente no cabelo do Haaland num domingo de manhã? Isso precisava, no mínimo, de consulta pública.