Eu estava num jardim aqui em Roma, dessas tardes em que a luz bate de lado e tudo parece uma pintura renascentista, quando minha amiga me mandou o link com uma mensagem curta: “Kátia, fizeram isso com a Guta.” Abri, li, e guardei o celular por um segundo antes de escrever qualquer coisa.
Guta Stresser, conhecida pelo papel de Bebel em A Grande Família, compartilhou uma foto num encontro com amigos e recebeu nos comentários uma sequência de mensagens com “não reconheci” e críticas à sua aparência. A atriz tem esclerose múltipla, diagnóstico que ela já tornou público anteriormente, e respondeu aos comentários classificando as falas como grosseiras e preconceituosas. A resposta foi direta, sem drama excessivo e sem pedir desculpa por existir.
O post viralizou pelo motivo certo: a resposta de Guta circulou mais do que as críticas originais. Colegas de profissão deixaram comentários de apoio, o público que a acompanha desde A Grande Família apareceu em peso, e os perfis que costumam amplificar esse tipo de situação fizeram o trabalho de dar contexto para quem chegou na história pelo meio. Os comentários maldosos, previsíveis, sumiram ou ficaram sem resposta da autora.
O que incomoda nessa história não é novidade: é a lógica de quem comenta aparência de pessoa pública como se fosse avaliação de produto em loja virtual. Guta Stresser tem diagnóstico de esclerose múltipla, condição que afeta o sistema nervoso central e cujo tratamento tem impacto no corpo, e quem foi aos comentários criticar aparência ou não a conhecia bem o suficiente para saber disso, ou sabia e não se importou. Das duas, a segunda é pior.
A Bebel de A Grande Família sempre foi a personagem que dizia o que todo mundo pensava sem pedir licença. Parece que Guta aprendeu bem com ela.