Meus amores, eu estava tranquilamente tentando seguir a vida quando o Gusttavo Lima apareceu com esse pacote completo de sofrência calculada, estratégia de lançamento e aquele ar de homem que sabe muito bem como manter o nome circulando sem pedir licença. O cantor lançou a versão completa de Feito à Mão, álbum que agora soma 17 faixas e acrescenta oito músicas inéditas ao repertório que já vinha dando resultado desde o primeiro volume. Eu tive que sentar para processar, porque o Embaixador veio com cara de quem abriu a porta do próprio estúdio, chamou a emoção para dentro e falou assim, agora vocês aguentem.
O lançamento acontece depois de o projeto ultrapassar 450 milhões de streams com as nove faixas do DVD Feito à Mão, Volume 1, divulgado anteriormente. Agora, a versão completa chegou às plataformas de música e também ao YouTube, com a promessa de manter o trabalho em alta e de prolongar uma fase que já virou ativo importante na carreira do cantor. Os videoclipes, segundo o material de divulgação, serão liberados faixa a faixa entre os dias 6 e 10 de março, naquele esquema que alimenta fã, algoritmo e curiosidade coletiva ao mesmo tempo.
E aqui eu preciso reconhecer uma coisa. Gusttavo Lima sabe vender conceito popular com embalagem de intimidade. Feito à Mão foi idealizado e gravado no estúdio da casa dele, em Bela Vista de Goiás, com produção assinada pelo próprio artista, participação nos arranjos e envolvimento também na composição de algumas canções. Tem um discurso de essência, de retorno ao que é mais pessoal, de projeto feito com a mão no controle e o coração no volante. E no mercado da música, meu bem, isso vale muito quando o artista já chega com base fiel, alcance gigantesco e repertório pronto para rodar.
Entre as inéditas, a grande aposta apresentada no release é “Assunto Que Dói”, faixa descrita como uma música de impacto imediato, com refrão daqueles pensados para grudar na cabeça do público. A letra fala de uma pessoa recém-solteira que tenta bancar a superada de sexta-feira, curtir a vida, seguir o baile, mas continua tropeçando na lembrança do ex. Traduzindo do music business para o português de quem vive de olho em hit, é uma canção desenhada para acertar em cheio esse território em que dor de amor, identificação popular e replay automático andam de mãos dadas.
As outras inéditas que entram no álbum são “Transa Pendente”, “Dez na Mente”, “Interrogações”, “Pensamentos Intrusivos”, “Objeto de Vingança”, “Outra Madrugada” e “Soy Yo”. Essa última aparece com palavras em espanhol no refrão, num movimento que tenta ampliar conexão e alcance fora do circuito mais óbvio do sertanejo nacional. Eu adoro quando o artista dá uma esticada calculada no próprio mapa, porque isso mostra ambição. E ambição, quando vem com planejamento, costuma render bem mais que pose.
O primeiro volume já tinha emplacado músicas conhecidas do público, como “Retrovisor”, “Pelo Bem da Minha Saudade”, “Cama e Coração”, “Saudades e Cabelos Brancos”, “Sofro e Não Nego”, “Ainda Tem Amor”, “Próximo Tchau” e “Culpa”. Parte dessas faixas veio acompanhada de certificações importantes, o que ajuda a explicar por que a chegada do álbum completo não tem nada de mero complemento. É continuação de um projeto que já nasceu forte, encontrou público rapidamente e agora tenta transformar boa repercussão em permanência.
Outra informação que chama atenção é que o Volume 1 estreou na sexta colocação do Top 100 Global do Spotify, dado usado pela equipe do cantor para reforçar o tamanho da resposta logo nos primeiros dias. Isso ajuda a montar o retrato exato da operação. Não se trata só de lançar música nova. Trata-se de sustentar uma narrativa de fase autoral, presença digital e força comercial, tudo ao mesmo tempo, com um artista que continua sabendo ocupar espaço como poucos dentro do sertanejo.
Eu vou te falar, meu povo, esse tipo de lançamento tem muito de bastidor bem amarrado. Tem a estética intimista para aproximar, os números para impressionar, as inéditas para renovar o interesse e a liberação escalonada de videoclipes para manter a conversa viva por mais alguns dias. É quase uma minissérie da sofrência premium. E Gusttavo Lima, que há muito tempo entende o jogo da exposição, entra nesse capítulo com aquele velho talento de fazer romance ferido soar como evento nacional.