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Kátia Flávia
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Guilherme Afif lança memórias e reabre bastidores do poder

O ex-ministro e empresário Guilherme Afif Domingos lança “Juntos chegaremos lá!”, pela Matrix Editora, reunindo memórias pessoais e políticas sobre a história recente do país. No livro, ele destaca a articulação do artigo 179 da Constituição, associada ao tratamento diferenciado para pequenos negócios e à base de políticas como Simples e MEI.

Kátia Flávia

04/03/2026 13h11

O ex-ministro e empresário Guilherme Afif Domingos lança “Juntos chegaremos lá!”, pela Matrix Editora, reunindo memórias pessoais e políticas sobre a história recente do país. No livro, ele destaca a articulação do artigo 179 da Constituição, associada ao tratamento diferenciado para pequenos negócios e à base de políticas como Simples e MEI. (Foto: Divulgação)

Meu povo, eu estava com a taça na mão e tive que parar tudo porque o Brasil ganhou um novo capítulo daquele tipo que mistura Brasília, nostalgia e um “eu avisei” bem colocado. Guilherme Afif Domingos resolveu abrir o álbum de figurinha do poder e lançou um livro de memórias com um título que já vem no modo jingle, “Juntos chegaremos lá!”. Eu li e pensei: isso aqui é o backstage da política contado por quem estava na foto, com o terno alinhado e a caneta pronta.

A obra chega como relato pessoal e político, e tem um eixo que ele martela com gosto. O papel das micro, pequenas e médias empresas na construção do país. Sabe aquele Brasil real que acorda cedo, paga boleto, abre a porta da loja e ainda leva bronca do sistema. Ele trata esse povo como protagonista, e eu confesso que dá um alívio ver alguém falando de empreendedor sem pose de palestra chata.

E aí vem o trecho que é puro tempero de Brasília. Afif puxa a história da Constituinte de 1988 e coloca no centro a luta pela inclusão do artigo 179, de autoria dele, como base para o tratamento diferenciado às micro e pequenas empresas. Daí ele conecta isso ao que virou pilar da economia empreendedora brasileira, com políticas como o Simples e o MEI. Sim, meu bem, ele faz questão de carimbar o legado, e eu entendo. Se você atravessou esse corredor, você quer o crédito no crachá.

Com linguagem direta, ele reconstrói as movimentações intensas da Assembleia Nacional Constituinte, o surgimento do Centrão, as articulações que mexeram no equilíbrio de forças em Brasília e aqueles embates ideológicos que deixam qualquer grupo de WhatsApp parecendo reunião de condomínio. Ele vai costurando o período com memória e bastidor, como quem diz: eu vi de perto, eu lembro do cheiro do carpete e do barulho das alianças.

Capa do Livro “Juntos Chegaremos Lá “ – Foto: Divulgação

Agora segura essa cena, porque eu gargalhei. O autor também revisita a decisão ousada de disputar a Presidência da República em 1989, numa campanha independente que rendeu mais de 3,2 milhões de votos e eternizou o jingle “Juntos chegaremos lá / Fé no Brasil / Com Afif juntos chegaremos lá.” Eu fiquei imaginando a trilha sonora tocando na minha cabeça enquanto eu fazia skincare. Isso aqui é muito Brasil, meu amor, a política com refrão grudado.

O livro ainda passa pela atuação dele à frente de instituições e cargos, sempre com foco na desburocratização, no estímulo à livre iniciativa e na defesa de quem gera emprego e renda. Ele foi deputado federal entre 1987 e 1991, vice-governador de São Paulo entre 2011 e 2014, ministro-chefe da Secretaria da Micro e Pequena Empresa entre 2013 e 2015, presidiu o Sebrae Nacional entre 2015 e 2018 e hoje atua como Secretário de Projetos Estratégicos do Estado de São Paulo. Um currículo que dá aquela vontade de perguntar: você dorme quando, querido.

E tem detalhe de bastidor de prestígio, porque o livro é prefaciado por Tarcísio de Freitas e Gilberto Kassab. Eu li isso e pensei: ok, aqui tem carimbo de gente grande e sinalização clara do lugar político dessa memória. Afif narra confrontos emblemáticos, fala de governos, crises e mudanças de época, sempre com a intenção de mostrar coerência de princípios. Eu adoro essa parte porque político contando história sempre tenta deixar o roteiro redondinho, mas aqui ele assume o enfrentamento e a estrada.

A estrutura do texto gira em torno da ideia dos “trintênios” da vida, com reflexões sobre formação, realização e uma sabedoria ativa, além de envelhecimento produtivo e legado público. Ele joga luz na necessidade de manter projetos em movimento mesmo depois de décadas de atuação. E eu, Kátia, já quis levantar do sofá e dizer: tá bom, chega de preguiça, vamos fazer alguma coisa. Quase caí da esteira só de pensar.

No pacote final, “Juntos chegaremos lá!” se apresenta como livro de memórias, documento histórico e manifesto em defesa do empreendedorismo como força de inclusão social e desenvolvimento econômico. Ele tenta convencer o leitor de que as grandes decisões nacionais precisam olhar para as pequenas empresas, e fecha com aquela crença no Brasil que produz, acredita e não desiste. Eu terminei com a sensação de que ele escreveu para registrar o passado e cutucar o presente, com a elegância de quem conhece a máquina por dentro.

Ficha técnica para quem gosta de serviço, meu bem: são 179 páginas, publicado pela Matrix Editora, com preço indicado de R$ 35,00. E pronto. Eu vou ali retocar o batom e fingir que não fiquei cantarolando “juntos chegaremos lá” no corredor, como se eu estivesse em campanha para síndica do camarote.

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