Com compradores de alto padrão e projetos autorais, Gramado sai do charme turístico e assume o papel de estrela do mercado imobiliário nacional.
Eu avisei. Enquanto muita gente ainda acha que Gramado vive só de fondue, Natal Luz e selfie com pinheiro europeu, a cidade estava ali, de salto fino, fechando conta de R$ 420 milhões em vendas e entrando no top 10 dos mercados imobiliários mais quentes do país. Rica, organizada e cada vez mais exigente. Um luxo silencioso? Não. Um luxo consciente e bem pago.
O levantamento da DWV colocou Gramado no mesmo ringue de pesos-pesados como Itapema, Balneário Camboriú, Itajaí, Porto Belo e Curitiba. A diferença é que Gramado entrou nesse baile sem gritaria. Entrou porque tem liquidez, comprador fiel e um perfil que não negocia assinatura arquitetônica. Quem compra imóvel ali não está atrás de metragem. Está atrás de permanência, status e blindagem patrimonial.

O mercado amadureceu tanto que o comprador de dois milhões já chega sabendo o que quer. Ele quer morar bem, ficar longos períodos, trabalhar de lá se precisar e receber amigos com orgulho. Gramado virou aquela pessoa elegante que não precisa provar nada. Só abrir a porta.
Não à toa, incorporadoras de fora do Rio Grande do Sul começaram a olhar para a cidade com outro tipo de interesse. A Saes Empreendimentos, catarinense com mais de cinquenta anos de estrada e mais de um milhão de metros quadrados construídos, resolveu apostar alto. Trouxe projeto autoral, discurso afiado e um nome que parece personagem de série europeia. BaumHaus.
O empreendimento nasce com seis mil metros quadrados de área construída e estrutura pensada para quem vive, não apenas visita. Coworking, áreas de lazer para estadias longas e aquela ideia clara de primeira moradia, mesmo em um destino turístico. Gramado virou endereço fixo na cabeça de quem pode escolher onde morar.

O executivo da Saes foi direto ao ponto ao resumir o espírito do lugar. O mercado é maduro. O comprador busca exclusividade e proteção de valor. Tradução da Kátia. Gramado deixou de ser só desejo emocional e virou decisão estratégica.
Enquanto isso, a cidade segue refinando sua imagem. Menos caricatura alpina, mais arquitetura autoral. Menos souvenir, mais patrimônio. Gramado entendeu o jogo e agora joga na primeira divisão.