Amores, eu li o estudo do Google com a mesma atenção que eu leio mensagem suspeita às duas da manhã. Porque ali não tem confete, tem pista. O Carnaval brasileiro mudou de roupa, trocou a fantasia padrão por experiências sob medida e assumiu, sem vergonha, que nem todo mundo quer glitter na cara e trio elétrico no ouvido.
Segundo a pesquisa, só 12% ainda querem a folia clássica de bloquinho, fantasia planejada e logística digna de excursão escolar. É o povo raiz, que organiza a vida em torno da rua e trata o Carnaval como missão. Esse grupo continua firme, mas virou minoria barulhenta, não maioria estatística.
O segundo território cresce bonito, 32% dos brasileiros preferem o Carnaval conexão. Tradução simultânea, churrasco com amigos, resenha em casa, viagem curta, tudo com gente conhecida e distância segura da multidão. É o Carnaval social, sem aperto, sem corda, sem empurra empurra. Um feriado com afeto e controle remoto.

Agora respira fundo comigo, porque o dado que realmente entrega o espírito do tempo vem aqui. 52% querem descanso absoluto. Metade do Brasil quer silêncio relativo, autocuidado, meditação, curso online, bem-estar e aquela sensação deliciosa de não ter compromisso nenhum. O Carnaval virou pausa estratégica para quem cansou de performar alegria.
O estudo também deixa claro que o Carnaval muda conforme a fase da vida. Quem ontem queria glitter hoje quer sofá. Quem pulava atrás do trio agora pula aula de ioga no domingo. E isso abre um território gigantesco para marcas que entendem jornada, contexto e momento emocional, não só volume e barulho.
No campo da comunicação, o Google aponta o óbvio que muita gente ainda ignora. YouTube inspira, ensina e embala. TV conectada vira companhia. DOOH pega quem ainda sai de casa. E a mídia programática costura tudo isso para entregar a mensagem certa a quem está pulando Carnaval ou fugindo dele com a mesma convicção.
Eu olho para esses números e penso o seguinte. O Brasil continua amando o Carnaval, só parou de amar a obrigação de gostar dele do mesmo jeito. E isso, meus amores, é maturidade cultural com purpurina seletiva.