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Kátia Flávia
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Google revela que metade do Brasil quer fugir do Carnaval e isso diz muito sobre o país

Levantamento do Google aponta que 52% dos brasileiros pretendem usar o Carnaval de 2026 para descanso e autocuidado. A pesquisa identifica três grandes territórios de comportamento no feriado, tradição, conexão e reflexão.

Kátia Flávia

07/02/2026 11h45

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Mais da metade da população pretende usar o período de Carnaval para descanso, autocuidado e bem-estar. Foto: reprodução/Freepik

Amores, eu li o estudo do Google com a mesma atenção que eu leio mensagem suspeita às duas da manhã. Porque ali não tem confete, tem pista. O Carnaval brasileiro mudou de roupa, trocou a fantasia padrão por experiências sob medida e assumiu, sem vergonha, que nem todo mundo quer glitter na cara e trio elétrico no ouvido.

Segundo a pesquisa, só 12% ainda querem a folia clássica de bloquinho, fantasia planejada e logística digna de excursão escolar. É o povo raiz, que organiza a vida em torno da rua e trata o Carnaval como missão. Esse grupo continua firme, mas virou minoria barulhenta, não maioria estatística.

O segundo território cresce bonito, 32% dos brasileiros preferem o Carnaval conexão. Tradução simultânea, churrasco com amigos, resenha em casa, viagem curta, tudo com gente conhecida e distância segura da multidão. É o Carnaval social, sem aperto, sem corda, sem empurra empurra. Um feriado com afeto e controle remoto.

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Parte dos brasileiros prefere uma resenha em casa. Foto: reprodução/Freepik

Agora respira fundo comigo, porque o dado que realmente entrega o espírito do tempo vem aqui. 52% querem descanso absoluto. Metade do Brasil quer silêncio relativo, autocuidado, meditação, curso online, bem-estar e aquela sensação deliciosa de não ter compromisso nenhum. O Carnaval virou pausa estratégica para quem cansou de performar alegria.

O estudo também deixa claro que o Carnaval muda conforme a fase da vida. Quem ontem queria glitter hoje quer sofá. Quem pulava atrás do trio agora pula aula de ioga no domingo. E isso abre um território gigantesco para marcas que entendem jornada, contexto e momento emocional, não só volume e barulho.

No campo da comunicação, o Google aponta o óbvio que muita gente ainda ignora. YouTube inspira, ensina e embala. TV conectada vira companhia. DOOH pega quem ainda sai de casa. E a mídia programática costura tudo isso para entregar a mensagem certa a quem está pulando Carnaval ou fugindo dele com a mesma convicção.

Eu olho para esses números e penso o seguinte. O Brasil continua amando o Carnaval, só parou de amar a obrigação de gostar dele do mesmo jeito. E isso, meus amores, é maturidade cultural com purpurina seletiva.

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