Gente, eu estava saindo do hotel em Madri pra almoçar antes de correr pro aeroporto quando o telefone tocou e eu quase perdi a reserva do restaurante de tanto escutar. Uma fonte minha do Rio despejando que teve cabeçada em jornalista na porta de debate eleitoral, no Brasil, em 2026. Deixei a mala com o porteiro e ouvi a história inteira de pé no saguão.
O agredido é Igor Carvalho, repórter do Brasil de Fato. Segundo o relato dele, tudo começou com trombadas do cinegrafista e uma rápida troca de ofensas pouco antes do primeiro debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, realizado pela Band.

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Igor contou que abaixou a cabeça para pegar as próprias anotações porque já pretendia procurar outro lugar para trabalhar. Quando levantou, recebeu uma cabeçada.
Caiu desnorteado.
Quando conseguiu entender o que estava acontecendo, já havia seguranças e paramédicos ao redor dele. O jornalista recebeu atendimento médico com suspeita de fratura no nariz.
A Globo não deixou a poeira baixar. Em nota, afirmou que repudia qualquer forma de violência e informou que, após analisar os fatos, decidiu rescindir o contrato do profissional envolvido. A emissora fez questão de esclarecer que o cinegrafista trabalhava como prestador de serviço temporário.
Ou seja, a cabeçada custou o trabalho.
A Band, responsável pelo debate, também se manifestou. A emissora repudiou a violência, informou que Igor recebeu atendimento imediato da equipe médica presente no local e afirmou que o agressor foi retirado de suas dependências logo após o episódio.
O Brasil de Fato divulgou uma nota defendendo a proteção da atividade jornalística e classificando agressões contra profissionais da imprensa como ataques à liberdade de imprensa e ao direito da sociedade à informação.
Igor também apareceu.
Nas redes sociais, disse que está bem, agradeceu à Band pelo atendimento recebido e avisou que registrará boletim de ocorrência. E resumiu a situação com uma frase que diz bastante sobre apanhar enquanto se tenta simplesmente trabalhar: a revolta, segundo ele, “dói mais que o nariz”.
Eu já estava arrastando a mala para o carro e fazendo a contabilidade das manifestações. Globo falou. Band falou. Brasil de Fato falou. Igor falou. A internet, obviamente, falou por todos e mais um pouco.
Faltava justamente uma pessoa.
O cinegrafista apontado como responsável pela agressão não havia sido localizado para comentar o episódio até a última atualização.

Crédito: Reprodução/Redes sociais
E talvez seja esse o detalhe mais estranho do desfecho. Em questão de horas, teve atendimento médico, nota de três instituições, anúncio de boletim de ocorrência e contrato rescindido. A única versão que continua faltando é a do homem que estava no centro de tudo.
Eu vou almoçar e depois embarco para o Rio, mas deixo uma conclusão simples: jornalista pode discordar de jornalista, disputar espaço, trocar palavra atravessada e até procurar outro canto para trabalhar. Cabeçada não faz parte da cobertura eleitoral. Nem de cobertura nenhuma.