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Kátia Flávia
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Gisèle Pelicot expõe horror conjugal e vira símbolo mundial

O maior julgamento por estupro da França ganha voz no livro Um hino à vida, recém lançado no Brasil. A autora decide falar depois da condenação do ex marido e transforma a própria história em documento públi

Kátia Flávia

24/02/2026 9h00

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Gisèle Pelicot detalha horror de 10 anos em entrevista para o Fantástico de domingo (22). Foto: reprodução/Globo

Eu li e confesso, precisei respirar fundo. Gisèle Pelicot, 73 anos, virou manchete mundial porque a vida dela foi usada como palco de um crime contínuo, doméstico e meticulosamente planejado. Durante uma década, a mulher era dopada dentro da própria casa, violentada por estranhos e filmada, tudo sob a batuta do marido, aquele senhor aparentemente respeitável que dividia a mesa do jantar.

Sim, meu bem, o monstro dormia do lado. Dominique Pelicot misturava sedativos na comida da esposa, convidava homens para o quarto do casal e registrava tudo como se fosse diretor de um filme podre, desses que ninguém admite assistir. Em dezembro de 2024, veio a sentença, 20 anos de prisão, a pena máxima prevista na França. Justiça tardia, mas necessária.

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A francesa lançará uma autobiografia sobre sua história. Foto: reprodução/Christophe SIMON / AFP

Passado pouco mais de um ano, Gisèle decidiu que não bastava o tribunal. Ela queria a palavra. Em Um hino à vida, lançado agora no Brasil, a francesa faz o que muita vítima sonha e poucas conseguem, assume o controle da narrativa. Conta a infância, o casamento, a descoberta devastadora e o caminho jurídico que virou o maior julgamento do gênero no país.

Não espere um texto dócil ou melodramático. O relato é direto, humano e firme. Gisèle escreve como quem sabe que a própria história não é só dela, é de milhares de mulheres que reconheceram o mesmo padrão de violência escondido atrás de cortinas bem passadas e sorrisos sociais.

Eu, Kátia Flávia, vejo aí o verdadeiro plot twist europeu. Uma mulher comum, sem pose de heroína, que resolve quebrar o silêncio e vira símbolo global de dignidade. O livro não pede piedade, exige atenção. E deixa claro que sobrevivência também pode ser um ato público, desses que ninguém consegue ignorar.

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