Eu estava num café em Brera, em Milão, mexendo no celular entre um espresso e outro, quando o feed me entregou esse babado com cheiro de fumaça velha reacendida. Giovanna Reis, ex de Alanis Guillen, reapareceu no Instagram para publicar um comunicado depois da circulação de posts antigos atribuídos a ela, com falas pesadíssimas e absolutamente indefensáveis. Não era um susto pequeno, era daqueles que fazem até mesa de canto parar de mastigar.
No texto, Giovanna disse que sentiu choque e decepção ao rever o conteúdo, pediu desculpas de forma direta e afirmou que aquelas falas não representam quem ela é hoje. Também tentou contextualizar o passado, dizendo que era muito jovem, que vivia conflitos psicológicos difíceis e que passou por um processo conturbado de descoberta da sexualidade num ambiente pouco acolhedor. É o tipo de explicação que tenta separar passado e presente, mas que chega atrasada numa festa em que o escândalo já está sentado na cabeceira.

Só que, nessa altura do campeonato, Alanis já tinha feito o movimento mais importante da história. A atriz encerrou o namoro depois da repercussão e ainda deixou claro publicamente que não compactua com racismo, xenofobia, gordofobia, transfobia nem qualquer outra forma de discurso de ódio. Traduzindo da língua da crise para o português cristalino, Alanis escolheu se afastar antes que alguém confundisse silêncio com complacência, e fez isso sem rodeio, sem coreografia e sem pedir trilha sonora.
Aí entra a parte que o povo da internet entende como ninguém, timing. Giovanna reapareceu tentando conter dano, explicar contexto e reivindicar a possibilidade de mudança. Só que print antigo, meu amor, não volta à tona para conversar, volta para morder. E, nesse caso, voltou com tanta força que o romance foi atropelado pelo próprio arquivo. O público até pode ouvir um pedido de desculpas, mas não costuma aplaudir de pé quando ele vem empurrado pela emergência.
Daqui de Milão, olhando essa confusão da janela de um hotel chique demais para tanto caos moral, eu só penso uma coisa. Tem textão que funciona como reparo, e tem textão que parece laudo tardio de incêndio com o prédio ainda fumegando. Giovanna tentou salvar a narrativa. Alanis salvou a própria posição. E a internet, essa síndica histérica do comportamento alheio, já tinha trocado a fechadura faz tempo.