Eu estava aqui no Cosme Velho, entre um café forte, uma escova modelada e uma ligação de uma atriz que jura que não brigou com ninguém, quando me cai no colo esse babado internacional com verniz de Oscar e cheiro de obra social bem apurada. George Clooney, aquele homem que a gente olha e entende por que Amal estudou tanto, voltou à Escócia para apoiar a Social Bite, instituição que combate a falta de moradia no Reino Unido. E não foi só para sorrir bonito em foto de gala, não, meu amor.
O ator visitou uma estrutura ligada ao modelo de “vila” da entidade, com pequenas casas sustentáveis pensadas para acolher pessoas em situação de rua e ajudá-las a chegar a moradia, comida e trabalho. A Social Bite quer expandir esse modelo para outras cidades do Reino Unido, em parceria com autoridades locais, oferecendo inclusive apoio de até 25% nos custos de construção das primeiras vilas. Olha aí Hollywood finalmente servindo para alguma coisa além de tapete vermelho, harmonização facial e discurso emocionado segurando estatueta.
O retorno tem camada, porque Clooney já havia passado pela Social Bite em Edimburgo em 2015, quando causou comoção ao visitar o café da instituição. Agora, 10 anos depois, ele reaparece ao lado de nomes como Bob Geldof e Rob Brydon para dar vitrine a um projeto que tenta sair do caso bonito de bairro e virar solução nacional. Rob Brydon, inclusive, elogiou a vila e questionou por que não existem mais lugares assim pelo país.
A Social Bite diz que o modelo já ajudou mais de 100 pessoas a alcançarem moradia independente de longo prazo, o que dá à história um peso que vai além do clique no rostinho do Clooney. O astro também participou de eventos de arrecadação, incluindo um jantar no hotel Gleneagles e o British Business Awards em Edimburgo, que tinha meta mínima de levantar £1 milhão para a instituição. Rica, eu adoro uma celebridade que aparece com smoking, mas gosto mais ainda quando o smoking vem acompanhado de boleto social pago.
No fim, a foto de Clooney numa vila de sem-teto rende porque junta glamour, crise habitacional e uma tentativa concreta de resposta pública. É aquela fofoca que começa com “olha o galã” e termina com “por que o poder público não copiou isso antes?”. E aqui entre nós, se até George Clooney saiu de casa para olhar casinha sustentável, tem muito engravatado que já passou da hora de levantar da cadeira giratória