Eu estava na aula de bike, no minuto exato em que o professor manda subir a carga e fingir que a vida é boa, quando a menina do spinning ao lado virou para mim e falou: a BYD ligou para a Gabi Panquequinha. Quase caí do pedal. Terminei a série pensando em carro, saí do salão de aula direto para o vestiário e já fui ligando para conferir, porque essa novela vinha se arrastando desde abril e eu queria o desfecho.
Recapitulando para quem chegou agora. Gabi Saporito, a Panquequinha, atravessou o BBB 26 inteiro sem levar nenhum prêmio, coisa que o público notou e transformou em causa. A mobilização foi grande o suficiente para a BYD entrar na conversa e anunciar que daria a ela um carro zero quilômetro, promessa feita ainda em abril. Passaram os meses, o carro não apareceu, e a internet começou a perguntar onde estava o presente. No sábado, ela resolveu responder. Contou nos Stories que a montadora já entrou em contato com a equipe dela e que a entrega está sendo organizada, encerrando a dúvida que rodava havia semanas. Falou aquele clássico dela, perguntando o que a Panquequinha vai estar em breve e respondendo sozinha: motorizada.

O comportamento digital dela nesse dia merece registro. Foram duas aparições nos Stories. Na primeira, no comecinho da tarde, ela se arrumava para um evento e soltou a informação de leve, em tom de recado tranquilizador para os seguidores. Horas depois voltou, já reconhecendo o tamanho da repercussão, e aí sim explicou o motivo da demora, dizendo que a entrega tem etapas e que são exigências de contrato. Repetiu duas vezes que está ansiosa. Quem trabalha com comunicação percebe o desenho: primeiro ela apaga o incêndio, depois volta para dar contexto e aparecer como alguém que também está esperando, no mesmo barco do público que brigou por ela.
E aqui está a parte que me fascina nessa história toda. O prêmio dela não veio do programa, veio da plateia. O reality não deu carro, não deu prova comprada, não deu nada, e foi o público que resolveu virar júri, jurado e patrocinador. A BYD leu o movimento com precisão cirúrgica e entrou num assunto que já estava quente sem gastar um centavo em mídia, porque a torcida fez o trabalho de graça. Gabi, por sua vez, entendeu que precisava administrar a espera sem parecer que estava cobrando ninguém publicamente, e por isso o tom dos Stories foi de agradecimento e ansiedade, jamais de reclamação. Menina esperta. Cobrar montadora em rede social rende manchete por um dia e queima ponte por dois anos.

Agora só falta o carro chegar de verdade, e eu quero ver o vídeo da entrega com aquela fitinha ridícula no capô, porque essa história pede isso. Panquequinha, quando estiver motorizada, me avisa. Eu voltei para a bike, mas confesso que pedalei o resto da aula pensando em quantos participantes de reality gostariam de ter uma torcida assim. A maioria sai com contrato de creatina. Ela saiu com fã-clube que negocia.