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Kátia Flávia
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Frota liga ao vivo, voz atribuída a Bolsonaro atende e defesa nega tudo

Durante transmissão da rádio TMC nesta quinta (23), o vereador foi desafiado a telefonar para alguém e fazer as pazes; uma voz atribuída ao ex-presidente atendeu. O advogado Paulo Cunha Bueno nega, diz que Bolsonaro não tem acesso a celular nenhum e classifica a insinuação como leviana.

Kátia Flávia

24/07/2026 10h33

Frota fez uma ligação ao vivo durante programa da rádio TMC, e uma voz atribuída a Bolsonaro atendeu.

Frota fez uma ligação ao vivo durante programa da rádio TMC, e uma voz atribuída a Bolsonaro atendeu.

Gente, senta que a história é longa e eu preciso contar antes que esfrie o pão de queijo. Sexta-feira, Rio de Janeiro encoberto, eu e as meninas no Grau Artesanal fingindo que aquilo ali era continuação saudável do treino. Aí uma delas grita no meio do salão que o Frota tinha ligado para o Bolsonaro ao vivo. Larguei o garfo. Larguei tudo.

O rolê foi assim: na quinta, ao vivo na rádio TMC, os apresentadores provocaram o vereador a ligar para alguém e fazer as pazes. Ele topou. Discou. E uma voz atribuída ao ex-presidente atendeu do outro lado. Uma das apresentadoras foi ao ar dizendo que conhecia aquela voz e perguntando de quem era. Frota não abriu o nome de ninguém e virou o assunto na hora, com uma agilidade que só quem já apanhou muito na vida pública desenvolve.

O advogado Paulo Cunha Bueno negou que o ex-presidente tenha participado da ligação e classificou a insinuação como leviana.
O advogado Paulo Cunha Bueno negou que o ex-presidente tenha participado da ligação e classificou a insinuação como leviana.

Não deu duas horas e a defesa veio para cima. O advogado Paulo Cunha Bueno negou tudo: disse que Bolsonaro não atendeu ligação nenhuma do vereador, que não tem acesso a nenhum celular e que segue à risca a limitação do decreto de prisão domiciliar. Chamou a insinuação de leviana e disse que aquilo só buscava causar celeuma e holofote oportunista. Traduzindo do juridiquês para o português da minha mesa de brunch: eu não sei quem estava naquele telefone, mas não era o meu cliente.

Agora vem a parte deliciosa, que é a história antiga desses dois. Frota e Bolsonaro estão rompidos desde 2019, quando o ator criticou o então presidente e se disse decepcionado com as atitudes dele. Antes disso eram tão próximos que Bolsonaro, ainda pré-candidato, brincou em público que o ator poderia virar ministro da Cultura. Guardem essa: o país já esteve a uma piada de distância de ter o Frota no Ministério da Cultura. Sete anos depois, o mesmo homem que ganhou fama política defendendo o impeachment da Dilma Rousseff resolve, em plena transmissão ao vivo, telefonar para o ex-aliado com quem brigou. Fazer as pazes com quem, exatamente, e por que agora.

Ninguém me tira da cabeça que essa ligação foi feita sabendo exatamente o barulho que ia dar. E ninguém no meu grupo de amigas engoliu a coincidência de o desafio ter sido justamente esse, com aquele convidado, naquele dia. A defesa nega, o vereador não confirma, e eu fiquei sem sobremesa porque perdi o apetite de tanto rir. Se a próxima brincadeira do programa for pedir para ele ligar para o Ministério da Cultura, eu me mudo.

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