Eu estava numa reunião na Barra da Tijuca tentando prestar atenção em assunto sério quando o celular começou a pipocar com Flávio Dino, Fábio Porchat, Edson Fachin e GloboNews na mesma história. Desmaiei profissionalmente. Na Barra, só se falava nisso. Porque uma coisa é fazer um vídeo sobre a crise do Supremo. Outra é o próprio Supremo parar para comentar o vídeo.
Nesta terça-feira (15), durante a sessão MAIS extraordinária do STF, Dino resolveu perguntar a Fachin se ele tinha assistido à sátira publicada por Porchat no sábado (12). O presidente da Corte respondeu que não: disse que enfrentou uma “enxurrada de expediente” e estava ocupado com os ofícios. Foi quando Dino explicou que o vídeo, embora fale dos jornalistas, também servia para os ministros. A piada atravessou a Praça dos Três Poderes e foi parar dentro do plenário.
E fui rever o vídeo inteiro porque ele é melhor quando a gente entende o contexto. De pijama, na cama, Porchat interpreta um jornalista absolutamente moído pelas reviravoltas do caso Master e da crise no STF. O pedido central é quase trabalhista: parem de produzir quebra de sigilo e novidade às 11 da noite porque jornalista também precisa dormir.
Aí entra a GloboNews e o negócio fica maravilhoso. Porchat cita Merval Pereira e Octavio Guedes para brincar com o nível de exaustão da cobertura. Na sátira, Merval já precisaria até de soro de madrugada. Porchat ainda aparece preparado para uma entrada urgente ao vivo e reclama do pesadelo de qualquer repórter: apurar, checar, escrever e, antes de publicar, descobrir que uma nova decisão mudou tudo outra vez.
Tem uma ironia deliciosa nisso tudo: Porchat fez humor justamente com jornalistas tentando sobreviver às decisões de Dino, Fachin e companhia. Três dias depois, Dino estava no plenário recomendando o vídeo a Fachin. E Fachin não tinha conseguido assistir porque estava trabalhando demais. Ou seja: a realidade resolveu escrever a continuação da esquete sem consultar o roteirista.
Voltei para a minha reunião na Barra? Voltei. Mentalmente? Jamais. Porque quando Fábio Porchat consegue entrar no STF sem toga e ainda faz ministro explicar a piada para o presidente da Corte, minha filha, o entretenimento brasileiro já venceu o expediente.