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Kátia Flávia
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Fim da era do publipost? Lei aprovada em Brasília coloca influenciadores sob novas regras, avalia Marcelo Calone

Especialista alerta que a regulação da profissão de multimídia muda contratos de publicidade e exige que celebridades e agências adotem maior previsibilidade jurídica

Kátia Flávia

13/01/2026 12h00

marcelo calone influenciadores lei

Após décadas de informalidade, sanção de lei em 2026 coloca publiposts sob regras rígidas; Marcelo Calone defende que o poder de audiência deve vir acompanhado de limites claros e éticos. Foto: divulgação

A sanção da lei que regulamenta a profissão de multimídia, em janeiro de 2026, acendeu um alerta no mercado digital. Influenciadores, agências e plataformas passaram a revisar contratos, rever estratégias e buscar orientação jurídica após a aprovação de um texto que muda, na prática, a relação entre influência, publicidade e responsabilidade legal no Brasil.

A nova legislação reconhece oficialmente atividades exercidas por criadores de conteúdo, produtores digitais e influenciadores, encerrando uma longa zona cinzenta jurídica. O recado vindo de Brasília é direto: o alcance digital deixou de ser apenas entretenimento e passou a ser tratado como atividade profissional com impacto econômico e social relevante.

Brasília entra no jogo da influência

Para o gestor de marcas, mídias e personalidades Marcelo Calone, CEO do Grupo CALONE, a reação do mercado era previsível. Segundo ele, a influência digital cresceu sem freios enquanto movimentava bilhões em publicidade, audiência e dados.

“O mercado de influência operou por anos como se estivesse fora do radar institucional. A partir do momento em que movimenta dinheiro, dados e comportamento social em escala nacional, era inevitável que Brasília entrasse no jogo”, afirma.

Bastidores do Congresso

Calone acompanhou de perto as discussões que levaram à aprovação da lei. Após a premiação nacional da tecnologia DBIPro, protocolo de inteligência de comportamento de dados desenvolvido para análise de audiência e impacto social e econômico, ele levou ao Congresso Nacional um laudo comportamental do público digital, usado como subsídio técnico nas discussões legislativas.

“Quando a DBIPro foi premiada em Brasília, ficou claro que a influência digital já tinha peso suficiente para gerar risco econômico, reputacional e político. Não dá para tratar isso como hobby”, diz.

Influenciadores sob pressão

Nos bastidores, a principal preocupação entre criadores de conteúdo é o fim da informalidade. A lei não proíbe publiposts nem publicidade digital, mas impõe critérios, transparência e responsabilidade jurídica.

“Não é o fim do publipost, mas é o fim do publipost sem critério. Quem construiu carreira no improviso vai sentir. Quem trabalha de forma profissional tende a se fortalecer”, avalia Calone.

Impacto direto em celebridades e campanhas

Artistas, ex-BBBs, atores de novela e personalidades que transitam entre televisão e redes sociais também entram no radar da nova legislação. Campanhas publicitárias, projetos audiovisuais e ações de branded content passam a exigir mais previsibilidade jurídica e menos risco institucional.

“O entretenimento tradicional sempre respondeu a regras claras. O digital agora passa a responder à mesma lógica. Isso muda o jogo”, afirma.

Regulação ou controle?

Embora defensores da lei apontem avanços, críticos afirmam que o texto pode abrir espaço para maior controle sobre a atuação digital. Para Calone, o debate precisa ser técnico, não ideológico.

“Não se trata de censura ou controle de conteúdo. Trata-se de responsabilidade econômica e social. Influência virou poder e poder, em qualquer democracia, precisa de limites claros”, argumenta.

O recado de Brasília

A leitura no Congresso é que o mercado digital entrou definitivamente no radar do Estado. A expectativa é que normas complementares detalhem o enquadramento profissional, contratos e obrigações nos próximos meses.

“O recado é simples: audiência continua valendo muito, mas não isenta ninguém de responsabilidade. A era da informalidade acabou”, conclui Marcelo Calone.

A pergunta que circula nos corredores políticos e no mercado digital é uma só: quem vai se adaptar e quem vai ficar pelo caminho?

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