Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

Filho de Zico admite assinatura em atestado falso usado por ONG ligada a emenda de Flávio Bolsonaro

Documento afirmava uma parceria inexistente entre o Ifop e a Associação Zico Fazendo a Diferença e foi usado para liberar recursos públicos

Kátia Flávia

02/10/2026 17h15

Zico e o filho, Bruno Coimbra

Zico e o filho, Bruno Coimbra

Bruno de Sá Coimbra, filho de Zico, admitiu ter assinado um atestado falso apresentado pelo Instituto de Formação e Orientação Profissional, o Ifop, para executar uma emenda de R$ 200 mil indicada por Flávio Bolsonaro. O documento declarava uma parceria entre o instituto e a Associação Zico Fazendo a Diferença que não aconteceu.

Eu estava no banco de trás do carro, voltando para Lisboa, quando li essa história. E precisei respirar antes de seguir, porque nome de ídolo, ONG, emenda parlamentar e atestado falso no mesmo pacote não é fofoca de elevador. É assunto que pede lupa, carimbo e muita explicação.

O documento, datado de 11 de abril de 2023, dizia que o Ifop havia participado da capacitação de 315 equipes do projeto Esporte RJ entre 2013 e 2015. O atestado falso serviu como comprovação de experiência técnica para a liberação de recursos pelo Ministério do Esporte.

Uma ata do próprio Ifop, registrada em cartório em maio de 2022, afirma que a entidade ficou inativa de agosto de 2012 até aquela data. O período engloba os anos da suposta parceria descrita no documento, o que desmonta a versão de que o instituto tenha participado do projeto.

Bruno reconheceu que a assinatura era dele, mas afirmou que o atestado pretendia comprovar a experiência profissional de José Rômulo Oliveira Alves, ex-colaborador da Associação Zico, e não a atuação do Ifop. “Sim, é minha assinatura, para atestar a capacidade técnica do José Rômulo Alves no nosso projeto, apesar de estar no nome desse Instituto”, disse.

Eu olhei pela janela e pensei que esse “apesar de estar no nome desse Instituto” é uma frase que não se explica sozinha. Atestado técnico não pode ter nome de uma entidade inativa quando a intenção seria comprovar a experiência pessoal de outra pessoa. A conta documental simplesmente não fecha.

José Rômulo preside o Ifop desde 2022 e trabalhou no projeto Esporte RJ, realizado pela Associação Zico entre 2013 e 2015. Fábio Wanderson da Silva Sodré, outro ex-dirigente ligado à associação, assumiu a vice-presidência do instituto em fevereiro deste ano.

A Polícia Federal investiga suspeitas de desvios em projetos bancados por emendas. Além dos R$ 200 mil indicados por Flávio Bolsonaro, o Ifop recebeu R$ 300 mil de emenda da deputada Chris Tonietto e R$ 1,5 milhão indicado pelo ex-deputado Chiquinho Brazão. A Suderj informou que vai rescindir contratos superiores a R$ 7 milhões com a ONG.

Eu cheguei a Lisboa com uma certeza: isso ainda vai render muito mais que uma manchete. Zico não é apontado como responsável pelo atestado falso, mas o nome da associação ligada à sua família entrou no centro de uma investigação que envolve dinheiro público, documentos e uma assinatura que o próprio filho reconheceu.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado