Estava aqui em Nápoles, entre uma conversa e outra, e recebi o print de uma fonte que me manda tudo com o recado “você precisa escrever sobre isso”. Dessa vez ela tinha razão.
O fato é o seguinte: Bernardo, de 13 anos, filho de Cristiano Araújo, fez sua Primeira Comunhão numa cerimônia católica, e o avô João Reis registrou o momento e publicou nas redes. Uma foto de avô e neto numa data religiosa, o tipo de coisa que acontece todo fim de semana em qualquer cidade do Brasil. Só que o pai de Bernardo morreu em julho de 2015, num acidente de carro, aos 29 anos. E o Brasil lembra.
No digital, os comentários não foram de fã para ídolo. Foram de adulto para criança, de quem perdeu algo junto e reconhece naquele menino uma continuidade que dói e alegra ao mesmo tempo. “Xerox do Cris”, “Deus abençoe sempre”, “a cara do paizinho dele”. Nenhum comentário foi sobre a postagem. Todos foram para Bernardo.


A leitura que eu faço é a seguinte: o Brasil adotou uma responsabilidade afetiva com os filhos de Cristiano Araújo que não foi combinada com ninguém, mas funciona com uma precisão impressionante. Toda vez que Bernardo ou João Gabriel aparecem num momento de passagem, o feed vira uma plateia que estava esperando ser convocada. O avô João é quem segura a câmera nesses momentos, e quando ele posta, a internet ocupa o lugar que ficou vazio sem fazer alarde.
João Reis postou a foto do neto de terno, na igreja, recebendo a Eucaristia, e foi embora que nem avô que sabe exatamente o que fez.