A notícia caiu como um soco seco no estômago. Heloísa de Carvalho, filha mais velha de Olavo de Carvalho, foi encontrada morta dentro de casa, em Atibaia, no interior de São Paulo. Ela tinha 57 anos. E, de repente, o barulho constante do debate político virou um silêncio pesado.
O corpo foi localizado por um amigo. A Polícia Civil registrou o caso e informou que, devido à natureza da morte, os detalhes serão preservados. E ponto. Nenhuma especulação oficial. Nenhuma resposta fácil. Só a perplexidade.
Heloísa era uma figura pública por motivos que iam muito além do sobrenome. Militante, crítica feroz do próprio pai, voz dissonante dentro de uma família que virou símbolo ideológico no Brasil. Ela nunca se escondeu. Falava. Escrevia. Confrontava. Pagava o preço.
Nas redes sociais, o irmão Davi de Carvalho pediu orações pela alma dela. Um pedido simples, quase desarmado, que diz muito sobre a complexidade dessa história. Ele mesmo reconheceu as divergências familiares e avisou que não voltaria a falar do assunto. Às vezes, o silêncio é a única forma de respeito possível.
Heloísa foi filiada ao PT, rompeu, se aproximou do PSOL, denunciou agressões políticas, viveu embates públicos intensos e, ao mesmo tempo, carregava uma trajetória pessoal marcada por conflitos profundos. Era viúva, mãe de um filho, moradora de Atibaia há décadas.
O velório acontece nesta sexta-feira e o enterro está marcado para a manhã do mesmo dia. Uma despedida discreta para uma vida que foi tudo, menos simples.