Paris Jackson, filha de Michael Jackson, abriu o jogo sobre como era crescer em Neverland, o famoso rancho do Rei do Pop na Califórnia. Ao contrário da imagem de infância encantada em um parque particular, a cantora revelou que a rotina dela e dos irmãos era marcada por estudos, tarefas e regras rígidas.
Eu já tinha passado pela catraca da academia e estava encarando o painel da esteira como quem negocia com uma sentença, quando vi Paris desmontando uma das maiores fantasias pop do planeta. Porque, vamos combinar, todo mundo imaginava os filhos de Michael Jackson acordando, escolhendo um brinquedo e vivendo um expediente inteiro de Disney particular. Pois não era bem assim.

Em participação no podcast “Call Her Daddy”, Paris contou que ela, Prince e Bigi tinham uma rotina bastante controlada. Acordavam e iam direto para uma sala que funcionava como escola, já que estudavam em regime de homeschooling.
A regra, segundo ela, era clara: se fizessem as tarefas, cumprissem obrigações e se comportassem bem, aí sim poderiam ver os animais, ir aos brinquedos, assistir a filmes ou aproveitar alguma atração no fim de semana.
E aqui eu quase apertei o botão errado da esteira, porque a revelação muda completamente o imaginário sobre Neverland. O lugar tinha parque de diversões, zoológico, cinema e até ferrovia, mas Paris afirma que tudo aquilo não era exatamente para os filhos de Michael.
“Foi deixado muito claro que todas as atrações não eram para nós. Não nos pertenciam”, contou ela.
Segundo Paris, o pai explicava que o complexo era destinado principalmente a crianças carentes ou com doenças terminais que não tinham oportunidade de visitar parques como a Disney. Ou seja: enquanto o mundo via Neverland como playground particular dos herdeiros, dentro de casa a história era outra.
A disciplina também seguia quando a família deixava o rancho. Mesmo em viagens ou hospedados em hotéis, os filhos de Michael só tinham acesso a lazer se cumprissem a rotina de estudos e comportamento.
A televisão também era controlada. Paris contou que ela e os irmãos não podiam assistir TV ou filmes durante a semana, a não ser que fosse parte de alguma atividade de aprendizado. Em alguns casos, o conteúdo era exibido até sem som, para que observassem iluminação, enquadramento e linguagem cinematográfica.
Eu coloquei a velocidade da esteira no mínimo, porque fofoca internacional com bastidor de infância famosa exige respiração. E essa tem um contraste delicioso: do lado de fora, o mito de uma criança morando dentro de um parque. Do lado de dentro, dever de casa, regra de fim de semana e Michael Jackson administrando lazer como boletim escolar.
Paris também falou da presença constante da música em casa. Disse que cresceu cercada por Beatles, música clássica, Tchaikovsky e sons tocando quase o tempo todo. Hoje, seguindo carreira como cantora, ela acredita que o pai gostaria de vê-la feliz.

“Ele era um cara muito legal, meu melhor amigo”, afirmou.
Neverland continua parecendo um cenário impossível. Só que Paris acaba de lembrar ao público que, por trás do parque, existia uma casa. E nessa casa, meus amores, até filho do Rei do Pop precisava fazer tarefa antes de brincar.