Agora vamos falar de coisa séria. Música alta, gente suada, ingresso parcelado e aquele amigo que jura que só vai beber água. Em 2026, a agenda da música eletrônica no Brasil não pede licença. Ela entra, ocupa espaço e avisa que o ano não vai ser calmo.
Começa cedo. Fevereiro já chega com o Ame Laroc Festival em Valinhos, aquele encontro que mistura clube, festival e desfile de looks pretos sob o sol. Line-up internacional, dois palcos conectados e aquela sensação de que o dia acaba e ninguém percebe. É onde o povo elegante da pista se encontra e finge casualidade.
Maio vira um caos organizado. Em São Paulo, o Time Warp toma o Vale do Anhangabaú e transforma o centro da cidade numa maratona de techno. Luz vermelha, concreto vibrando, gente dançando como se não tivesse boleto vencendo. Dois dias que bagunçam o relógio interno de qualquer um.

No mesmo mês, Curitiba entra no jogo com o Warung Day Festival. A Pedreira Paulo Leminski vira aquele cenário bonito demais pra estar tocando música pesada. Line-up guardado a sete chaves, público fiel e a certeza de que alguém vai dizer que foi a melhor edição da vida. Todo ano dizem isso. Todo ano acreditam.

Junho traz o Só Track Boa em São Paulo. Multidão, bandeira levantada, celular no alto e aquele coro coletivo que arrepia até quem finge não se emocionar. House e techno dividindo espaço com gente que já sabe o caminho de olhos fechados.

Quando o ano parece acabar, a Bahia resolve bagunçar tudo. Universo Paralello atravessa o Réveillon em Ituberá como um ritual à beira-mar. Dias seguidos de festa, pés na areia, noite que vira manhã sem aviso. Quem vai volta diferente. Ou pelo menos acha que voltou.

E ainda tem a XXXperience, em abril, em Itu. Trinta anos de história, estrutura gigante e aquela mistura de nostalgia com gente que acabou de descobrir o psytrance. Clássica, barulhenta e fiel à própria identidade.

Resumo da ópera. 2026 não foi feito pra descansar. Foi feito pra escolher pista, discutir line-up, reclamar do preço do ingresso e depois ir mesmo assim. Porque reclamar faz parte. Perder, jamais.