Meus amores, eu estava mexendo no celular, quase largando tudo para tomar um suco e fingir serenidade, quando me aparece uma Ferrari Dino 246 GT de 1973 dividindo a vitrine com um Fusca 1200 de 1959 num leilão brasileiro. Eu tive que sentar para processar, porque isso tem uma energia de alta sociedade automotiva com pitada de colecionador que dorme abraçado em catálogo. Se tem máquina com pedigree desfilando em leilão, tem Kátia anotando.
A história é a seguinte, o iArremate faz no dia 26 de março, às 20h, a 3ª edição do Classic Rides, com 21 lotes e lances já abertos no portal. A plataforma, que há mais de uma década atua com leilões on-line de arte, está ampliando o modelo de negócios e reforçando sua entrada no universo dos colecionáveis sobre rodas. Meu amor, isso aqui já sai do papo de carro bonito e entra naquele território em que investidor, apaixonado por design e colecionador olham para o mesmo objeto com brilho no olho.


A Ferrari Dino 246 GT de 1973 aparece como um dos grandes destaques dessa edição, e não é difícil entender por quê. Segundo o material, ela reúne design autoral, inovação mecânica e valor histórico, carregando ainda o peso simbólico de ter nascido como submarca criada por Enzo Ferrari e de marcar a introdução dos motores V6 num portfólio até então dominado por V12. Com linhas assinadas pela Pininfarina, a Dino ainda leva no nome uma homenagem a Alfredo Ferrari, filho de Enzo, ligado ao desenvolvimento dos motores V6, então eu já vejo esse carro como a protagonista absoluta do tapete vermelho desse leilão.


Só que o charme da coisa está justamente em colocar ao lado dela um Fusca 1200 de 1959, que puxa a conversa para outra direção e dá ao catálogo um recorte mais amplo. O release vende essa combinação como um contraste interessante entre o luxo esportivo italiano e a democratização do automóvel no século XX, e eu confesso que adoro esse tipo de mistura que parece casting improvável e funciona. É o tipo de dupla que faria bonito até numa série cara sobre herdeiros, mecânicos geniais e colecionadores obcecados.



E a vitrine ainda vem carregada de nomes que fazem qualquer apaixonado por carro erguer a sobrancelha. Tem Rolls-Royce Corniche 1980, Chevrolet Corvette Stingray V8 454 1973, Dodge Charger R/T, Triumph GT6 1970, Ford Explorer Sport 1998, Ford Jeep CJ-5 1972 e um Volkswagen Fusca 2.0 Subaru Turbo 1972, numa seleção que conversa com purismo, personalização e desejo. Eu precisei pausar a esteira imaginária, porque isso aqui já tem cara de elenco de reality de luxo sobre rodas, com britânico refinado, americano bombado, alemão popular e italiano que entra no salão achando pouco ser lenda.


Vinícius Villela, fundador e CEO do iArremate, sustenta que os automóveis clássicos entram nesse universo como verdadeiras obras de arte sobre rodas, com design autoral, engenharia de época, acabamento artesanal e valor histórico. O leilão, segundo ele, amplia o conceito da plataforma sem afastá-la do seu core no mercado de arte. Eu acho delicioso quando o mercado resolve chamar carro de patrimônio cultural em movimento, porque aí a conversa ganha verniz, sobe o preço e todo mundo posa de sofisticado com a mesma naturalidade de quem discute pincelada de quadro raro segurando chave de clássico na outra mão.