Estava num café aqui em Amalfi, olhando o mar e fingindo que não ia checar o celular, quando chegou o vídeo de Fernanda Lima falando de dinheiro com uma honestidade que a maioria das pessoas bem-sucedidas evita em entrevista. Deixei o cappuccino esfriar.
A apresentadora publicou no próprio canal um vídeo em que revela que, mesmo depois de duas décadas de casamento com Rodrigo Hilbert, ainda tem dificuldade de conversar sobre finanças com o marido dentro de casa. Ela disse que os dois dividem as contas, mas que às vezes um paga mais que o outro, e que esse assunto ainda trava. Depois foi além: aconselhou mulheres a organizarem as próprias finanças antes de qualquer coisa, inclusive antes de engravidar, listando os custos reais de criar um filho sozinha sem pensão e sem rede de apoio.
O tom foi de alerta prático, sem romantismo.
O vídeo circulou rápido, repercutiu na Marie Claire e pegou bem nas redes porque combinou confissão pessoal com conselho financeiro direto, que é uma combinação que o algoritmo adora. Nos comentários, a maioria das mulheres reconheceu a situação no próprio casamento, o que transforma um vídeo de canal em termômetro social sem querer.
O que me interessa aqui é o seguinte: Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert são há anos o casal perfeito do Brasil, aquele que a internet usa como régua de felicidade doméstica.
Ela sendo a primeira a dizer publicamente que ainda tem nó na garganta para falar de conta bancária com o marido desmonta um pouco esse verniz. E faz isso sem drama, sem separação anunciada, sem treta, o que é ainda mais desconcertante para quem está acostumado a só prestar atenção em casamento quando ele está caindo.
Vinte anos juntos, negócios, filhos, programa na Globo, e o tabu do dinheiro ainda está lá, intacto, na mesa de jantar. Eu precisei de um segundo cappuccino só pra processar que isso é mais revelador do que qualquer entrevista de crise conjugal que eu já li.