Amadas, segurem o controle remoto porque Três Graças resolveu brincar de necrotério emocional. Quando Ferette descobre que Rogério, dado como morto há cinco anos, está vivíssimo, respirando e ainda instalado na casa da amante, o mundo dele não cai. Ele implode.
A cena é de novela raiz. Arminda entra em desespero, quase sem voz, como quem abre a porta errada do passado e dá de cara com o próprio erro de cinco anos atrás. Ferette tenta manter a compostura, aquela frieza de empresário que acha que tudo se resolve com planilha, silêncio e decisão cirúrgica. Só que aí vem a bomba. As ameaças que rondavam a Fundação não vinham do além. Vinham do “ex-defunto”. Rogério voltou não só com pulso, mas com sede de acerto de contas.

E aí entra o tempero clássico do folhetim. Leonardo, o filho, aparece para ajudar o pai, sem saber que está pisando num campo minado moral. Ferette o despacha com falsa calma. Pai protege filho. Vilão também ama. E quando a porta fecha, a máscara cai.
A conversa entre Ferette e Arminda é faca girando devagar. Ela alerta. Rogério vivo ameaça tudo. O romance, a Fundação, os segredos, o castelo de cartas construído em cima de um atestado de óbito falso. Ferette não hesita. Para ele, a solução é simples, quase administrativa. Se morreu uma vez, morre de novo. Sem drama. Sem hesitação. Como quem apaga um erro antigo.
Arminda ri de nervoso. Aquele riso que só quem já cruzou o limite reconhece. Questiona se agora vai funcionar. E Ferette responde com a segurança de quem já perdeu qualquer resquício de humanidade. Não se erra duas vezes no mesmo serviço. É aí que a novela cresce. Porque não estamos mais falando de amor, estamos falando de sobrevivência.

Essa virada coloca Três Graças num patamar clássico das grandes tramas. O morto que volta, o amante que vira ameaça, o empresário que escolhe o crime como método. Tudo isso ecoa aquele cheiro de novela das nove que a gente ama. Nada é limpo. Ninguém é totalmente vítima. Todo mundo tem culpa guardada na gaveta.
O gancho é cruel e irresistível. Ferette vai mesmo matar Rogério outra vez. Arminda vai compactuar ou trair. Leonardo vai descobrir quem é o pai que ele defende. E Rogério, esse fantasma de carne e osso, vai cair calado ou vai puxar todo mundo pro abismo junto com ele.
Resumo final, minhas noveleiras: quando o passado volta andando, não existe conversa. Em Três Graças, quem enterra segredo acaba enterrado junto. E a semana promete sangue, culpa e aquela delícia chamada tragédia bem escrita.