Gentee, estava eu aqui pesquisando um hotel fazenda para passar alguns dias de férias com algumas amigas no final de janeiro, quando caio de paraquedas num babado sobre uma fazenda histórica do interior de São Paulo que hospedou Dom Pedro I antes dele proclamar a Independência do Brasil.
Acontece que esse imovél do Vale do Paraíba pode ser concedida à iniciativa privada para a implantação de um hotel de luxo. Ele está localizado no munícipio do São José do Barreiro, no interior de São Paulo.
Construída no início do século 19, a Fazenda Pau D’Alho é considerada um dos mais preservados exemplares do ciclo do café no Brasil. Ele também mantém características raras, como muros de pedra, pau a pique e um amplo conjunto arquitetônico histórico.
O complexo inclui casa-grande, terreiro, senzala, cavalariça, tulha, oficinas, bateria de pilões, roda d’água, dois moinhos e depósitos, além de uma construção em alvenaria inacabada com 10 quartos. Ao todo, a área tem 19 hectares.
Essa propriedade faz parte de um programa piloto do Ministério do Turismo, em parceria com Portugal, que prevê a concessão de bens históricos à iniciativa privada por meio do Revive Brasil. A proposta prevê 45 anos de concessão, com restauro completo da fazenda e a construção de um hotel de alto padrão, ligado ao núcleo histórico por uma passarela elevada.
De acordo com o plano de negócios elaborado pelo BNDES, o hotel teria 60 quartos, com diárias estimadas em R$ 1,6 mil e a nova edificação ficaria a pelo menos 15 metros dos muros históricos, respeitando a visibilidade do patrimônio.
Com a expansão, a área construída passaria de 2,7 mil m² para 8,3 mil m². O investimento total estimado é de R$ 63,1 milhões, sendo R$ 52,4 milhões destinados apenas à implantação do hotel. O contrato de concessão tem valor estimado em R$ 10,9 milhões, incluindo R$ 10,7 milhões obrigatórios para o restauro.
Só que os moradores de São José do Barreiro, cidade com cerca de 3,8 mil habitantes, não concordam com o projeto, tanto que eles fizeram um abaixo-assinado virtual, com aproximadamente 500 assinaturas, reúne moradores contrários à concessão. O grupo aponta riscos de descaracterização do patrimônio e impactos ambientais.
O Ministério do Turismo alegou que a licitação exigirá o princípio da mínima intervenção, garantindo a preservação da autenticidade histórica. A pasta destacou que não há autorização para supressão de vegetação nativa, especialmente em áreas da Mata Atlântica ou próximas ao Parque Nacional da Serra da Bocaina.
A Fazenda Pau D’Alho foi construída por volta de 1817, pelo capitão João Ferreira da Silva, e é tombada como patrimônio cultural nacional desde 1968. Além de Dom Pedro I, o local também recebeu o naturalista francês Saint-Hilaire, em 1822.