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Kátia Flávia
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Fátima Bernardes revela por que abandonou o Jornal Nacional; saiba o motivo

Jornalista contou que passou por crises de ansiedade antes de tomar coragem para abandonar a bancada após 14 anos

Kátia Flávia

27/07/2026 15h35

Fátima Bernardes comandou o Jornal Nacional por 14 anos ao lado de William Bonner

Fátima Bernardes comandou o Jornal Nacional por 14 anos ao lado de William Bonner

Fátima Bernardes revelou que a saída do Jornal Nacional, em 2011, foi antecedida por um período de sofrimento intenso. Em entrevista ao videocast Conversa Vai, Conversa Vem, de O Globo, ela contou que queria deixar a bancada para tentar outras possibilidades profissionais, mas não conseguia verbalizar a decisão e passou a enfrentar crises de ansiedade.

Com o terninho de linho branco e o vestido verde-esmeralda de seda já guardados na capa que vai para a lavanderia, eu parei para ouvir Fátima com a atenção que esse relato pede. Porque muita gente viu apenas a mudança da âncora do JN para apresentadora do Encontro. O que não se via era a mulher tentando encontrar uma saída antes que o corpo começasse a gritar por ela.

“Quando comecei a querer sair, não tinha muita coragem de dizer. Pensava um pouco à frente e achava que ia ficar tarde para tentar me experimentar em outras coisas”, contou. Depois de 14 anos ao lado de William Bonner na bancada, ela chegou a cogitar que só deixaria o telejornal quando se aposentasse. A ideia, porém, provocou uma angústia enorme.

“Pensava que se tivesse algum problema de saúde que não me deixasse mais fazer o JN ia ser mais fácil. Passei a passar mal todo dia”, revelou. Em uma das situações mais graves, Fátima precisou apresentar o jornal com dois enfermeiros de prontidão no atendimento de emergência da Globo. Em outro dia, não conseguiu encerrar a edição: Heraldo Pereira e William Bonner deram o “boa noite” final.

A jornalista disse que a análise ajudou a entender o que estava acontecendo. A rotina exaustiva, os três filhos e a vontade represada de mudar de caminho pesavam ao mesmo tempo. “Aquilo parecia música para mim”, afirmou, ao lembrar da conversa com o médico. Com tratamento, ela conseguiu se estabilizar e, enfim, comunicar à emissora que queria fazer outra coisa.

O ponto mais importante da fala é que Fátima não descreve o jornalismo como infelicidade. “Não porque era infeliz fazendo aquilo, mas queria experimentar outras coisas”, explicou. A mudança abriu caminho para dez anos à frente do Encontro e, depois, para outros projetos na televisão e na internet. Sua trajetória na Globo reuniu 14 anos no Jornal Nacional, uma década no Encontro e a apresentação do The Voice Brasil.

Ela também contou que não precisou mais de remédio depois de começar a fazer mudanças de forma mais natural. Isso não transforma uma experiência individual em receita, mas deixa um recado muito claro: ignorar um sofrimento para sustentar uma imagem de segurança pode cobrar caro demais.

Fechei a capa de roupas e fiquei pensando em como é fácil a gente chamar uma virada de carreira de “coragem” só depois que ela dá certo. Antes disso, muitas vezes ela vem acompanhada de medo, culpa, crise e a sensação de que ninguém vai entender. Fátima entendeu o próprio limite e mudou de rota. Ainda bem.

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