Segura essa gargalhada porque o Prêmio do Humor já tem data, cidade e clima de bastidor fervendo. Criado e organizado por Fabio Porchat desde 2017, o evento virou o termômetro oficial da comédia teatral brasileira. Quem entrou, entrou. Quem ficou fora, finge costume.
As cerimônias acontecem no dia 16 de março, no Rio de Janeiro, e no dia 23, em São Paulo. Duas praças, dois públicos exigentes e um júri especializado que avalia texto, performance, direção, espetáculo e especial. Nada de voto de amigo. Aqui o riso passa por triagem.
Este ano, o palco também vira altar de reverência. Em São Paulo, a homenageada é Fafy Siqueira, figura que atravessou gerações fazendo escola no humor. No Rio, o tributo vai para Marco Nanini, dono de um currículo que dispensa legenda e de um timing que ainda deixa muito jovem comendo poeira.
Porchat, que não costuma economizar sinceridade, resume o espírito da coisa lembrando que cresceu vendo esses dois moldarem o humor nacional. Ele aprendeu rindo, imitando, estudando. Hoje entrega o troféu com aquele sorriso de quem sabe exatamente o peso do nome que chama ao palco.
A lista de indicados vem parruda e sem piedade. Tem Marcelo Médici, Gregório Duvivier, Heloísa Périssé, Jarbas Homem de Mello, Lindsay Paulino, Luciana Paes e uma turma que faz o teatro rir mesmo quando o mundo anda meio sem graça. Textos afiados, performances que seguram plateia e direções que sabem a hora de acelerar e a hora de deixar o silêncio constranger.
No fim das contas, o Prêmio do Humor segue fazendo o que promete. Juntar talento, vaidade, aplauso e aquele leve pânico de quem sabe que está sendo observado. Porque no teatro, meu bem, todo mundo ri. Mas nem todo mundo leva o troféu pra casa.