Aqui em Veneza, com a névoa da manhã ainda presa nas pontes e um café que chegou antes de eu pedir, a minha timeline abriu com o nome do Felca e eu parei tudo. Esse tipo de relato não se lê correndo.
A usuária Roh Silva, @slvroh no X, publicou uma thread descrevendo o relacionamento que teve com o influencer enquanto moravam juntos. Ela tinha 18 anos na época e, como ela mesma conta, só recebeu o diagnóstico de autismo nível 2 depois. Segundo o relato, o Felca fazia jogos psicológicos, a mantinha numa relação que nunca tinha término oficial, e quando ela entrou em crise ele e os pais a colocaram na rua com a promessa de que era temporário. O mesmo que dizia ter fobia social pegou o carro e foi gravar com o Orochi. Ela ainda conta que criou o Instagram dele, emprestava roupas para gravações, editava vídeos, e que ele se recusava a assumi-la publicamente porque ela não era famosa.
No digital, o Felca sumiu completamente após a repercussão. Nenhum story, nenhuma nota, nenhum like equivocado de madrugada, nada. Os fãs dele se dividiram entre quem pediu posicionamento e quem tentou desacreditar o relato, e essa segunda ala se saiu mal porque a Roh respondeu ponto a ponto com calma e consistência.

A leitura que faço é a seguinte: o relato da Roh tem uma estrutura muito específica que é difícil de contestar, porque ela não faz acusação genérica, ela narra cena por cena com contexto clínico, cronologia e detalhes de bastidor criativo. Ela não está pedindo cancelamento, está documentando. E influencer que constrói personagem de vulnerabilidade nas redes enquanto, segundo a ex, nega essa mesma vulnerabilidade na vida real tem um problema de narrativa muito sério para resolver.
A conta do Instagram que ela criou para ele ainda está no ar. Só isso já diz muita coisa.